Abgailfreitas's Blog

julho 2, 2010

INDISCIPLINA/RUTH

Filed under: Uncategorized — abgailfreitas @ 7:31 pm
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INDISCIPLINA

RUTE DE MARIA MATOS

Quando falamos em indisciplina na escola, temos que ter todo o cuidado em relação a esses alunos que precisa ser trabalhado seu comportamento,tanto na escola, família e sociedade. Sabemos que a indisciplina atrapalha o aprendizado do aluno, e cabe ao educador fazer com que esse aluno descubra a importância que ele é em meio a sociedade. É um desafio que não é fácil mas o educador lida sim, com a esperança, até porque isto faz parte da essência do seu próprio trabalho.
Sabemos a importância da mudança que precisa ser feita em relação a esses alunos, ao invés de culparmos família ou sociedade, temos que procurar um meio que transforme seu comportamento, muitas das vezes estamos procurando ou sempre colocando a culpa no outro, e assim não se resolve o problema, então a responsabilidade e o compromisso é do educador, pois não é excluindo que teremos alunos disciplinados, pois ele já vive perante a sociedade excluído.
A indisciplina cresce constantemente, isso porque os valores negados existem, tais como: respeito, fraternidade, amor, valorização da família entre outros. Hoje percebe-se que para entendermos um aluno que precisa de disciplina precisamos ouvir, pode ser exatamente uma conversa que o mesmo necessite,então sua rebeldia é uma forma de se comunicar. Com estas e outras atitudes, o educador vai ganhando respeito dos alunos, onde o dialogo será uma porta aberta entre si, a partir daí as soluções adequadas aparecerão.
O professor precisa identificar os motivos da indisciplina, para só assim começar a trabalhar com esses alunos. Na maioria das vezes encontramos alunos com esses problemas pela situação em que eles enfrentam, é por isso que o professor tem que diagnosticar seu comportamento ou seja sua indisciplina. Em muitos casos os alunos são problemas, pelo fato de não está gostando do professor, de sua disciplina, e nada o chama sua atenção.
Então cabe ao educador saber trabalhar e ter todo o cuidado em relação a esses alunos. Indisciplina é um problema que afeta a maioria das famílias sem nenhuma estrutura, é por isso que como educadores temos que agir da melhor maneira possível, desfazendo o clima de conflito e solucionar a situação.
MOTIVOS QUE LEVAM O ALUNO À INDISCIPLINA

Na realidade existem escolas mal preparadas para trabalhar com esses alunos, existem escolas que não tem nenhum apoio psicológico,e nem estrutura para enfrentá-lo.Há muito tempo que a escola deixou de ser vista como um papel integrador dos alunos. Hoje percebe-se que o respeito pelo professor está cada dia acabando.
A motivação é um dos fatores principais na aprendizagem,e para que a mesma exista é necessário ser integrada com os alunos. Existe professores que não conseguem motivar o aluno ou despertá-lo ou cativá-lo, esse é um dos fatores que afeta a maioria dos educando. Isso acontece pela falta de planejamento do professor, aulas tradicionais, monótonas, a falta de recursos técnicos, entre outros fatores.
Cabe ao educador analisar criteriosamente seus planos onde os mesmos devem ser flexível e sempre abordando conteúdo de forma critica e criativa, que chame a atenção dos educando pois o que leva o aluno a ser indisciplinado é a forma que ele é trabalhado na sala de aula. Existem vários fatores que ajudam o aluno a ser o individuo problemático,mais não é impossível trabalhar com esses alunos. O objetivo é tornar o aluno sujeito criativo de sua própria aprendizagem.
Temos dois grandes desafios que é de descobrir o que necessariamente é a indisciplina, porque alguns educadores se perguntam se é falta de limite ou um pedido de atenção. Temos antes de tudo, que conquistar o coração dessa criança, é muito complicado falar de indisciplina e não falar de família. Baseado na escola o ensino-aprendizagem, tem que ter um papel fundamental de assumir suas responsabilidades, a partir da realidade, da necessidade e do desenvolvimento dos alunos.
Dessa forma a indisciplina requer um aprendizado significativo. Parafraseando Paulo Freire “Ninguém disciplina ninguém, mas por outro lado ninguém se disciplina sozinho.” Ou seja cada pessoa se disciplina em conjunto enfrentando a realidade do mundo. Para o professor trabalhar com alunos indisciplinados ele deve ter autoridade,onde ele possa usar sua autoridade para conduzir a turma de forma proveitosa no processo ensino aprendizagem,mas não podendo esquecer como pode exercer sua autoridade nos domínios.
Sabemos que para tratar alunos indisciplinados, o professor tem que ter, autonomia,autoridade, saber conversar, na expectativa de transformar esse aluno, o professor tem que ser exigente para alcançar uma meta. O que não pode acontecer é uma briga de empurra em empurra onde professores colocam a culpa na família, a família diz que os professores são incompetente,e a escola não tem pulso forte. Ou seja esquecem que o maior prejudicado é o aluno já que ele não consegue desenvolver uma aprendizagem significativa.
É importante conquistar a autoridade, só então conquista-se o respeito, muitas vezes ficar irritado com os alunos, gritar, e não conseguir com o que os alunos se comportem, atitudes autoritárias não adiantam nada, quando tentamos impor disciplina, a submissão e a revolta aparece. O papel do educador na construção é como se dá a aprendizagem, com base nessa compreensão, o planejamento do professor tem que ter algo que chame a atenção do aluno, dependendo do conteúdo a ser trabalhado ela vale para chegar a disciplina e ao objetivo principal, fazer com que todos aprendam.
O educador precisa resgatar em seu aluno o prazer de aprender, porque o mesmo tem que ser parceiro de seu aluno no processo ensino aprendizagem. É nesse espaço revelador de acertos ou de conflitos, que a construção de experiências educativas, relevantes para os alunos é uma das prioridades da educação. Compete a todos o objetivo de garantir a melhoria do processo educativo, propiciando assistência e apoio aos alunos, para que a escola desenvolva um ambiente educativo.
Neste contexto deve, ainda, oportunizar um intercambio entre os educadores, tornando a escola em um ambiente socializador do conhecimento, em que é possível a troca de experiências profissional e que a aprendizagem seja efetiva e significativa para o aluno.
Atualmente as crianças não obedecem os professores, hoje trabalhamos com alunos que não tem limites, podemos observar as reclamações dos professores e funcionários, percebemos o grande desafio que é conquistar a disciplina dos alunos.

COMO EVITAR A INDISCIPLINA

Existem algumas formas de evitar a indisciplina, que como educadores podemos está desenvolvendo em sala de aula. Os alunos precisam enxergar a importância que é um ambiente educador.
• O educador precisa está bem preparado para lhe dar com esse tipo de aluno,e seus planos precisam ser bem elaborados,para assim serem bem passados.
• O professor tem que ter voz firme,e olhar nos olhos do aluno.
• Ter cuidado ao falar com esse aluno.
• Não gritar,não querer medir força com esse aluno.
• O ambiente escolar tem que proporcionar o melhor para o mesmo.
• A escola precisa está bem preparada,para lhe dá com esse tipo de aluno indisciplinado.
• Além do que, o ambiente precisa ser agradável.
• A escola tem que ter ajuda psicológica para está trabalhando com esse aluno.Entre outros aspectos.

Sabemos que aqui na ETI convivemos com crianças que precisam desses aspectos para se tornarem crianças disciplinadas os mesmos já vem de uma família sem estrutura e são excluídas da sociedade por serem pobres, é lamentável mas é a realidade. É necessário fazer uma ressalva sobre a elaboração de normas na escola. É recente os educadores acreditarem que tudo deve ser combinado, discutido, negociável. Aquilo que o grupo de crianças decide deve ser aceito, porque “partiu da classe”.
Entretanto, é preciso esclarecer que nem tudo se discute. Há determinadas normas que não são negociáveis. Não se discute, por exemplo, se pode ou não bater nos outros. “Não se faz uma pergunta cuja resposta já está de antemão definida e inegociável”, conforme afirma De La Taille (1998, p.101). O professor pode afirmar claramente uma regra indiscutível (“não se bate nas pessoas”) e, por exercício de reflexão, solicitar às crianças que apresentem argumentos que sustentem esse imperativo, expressando ainda suas idéias sobre como gostariam de ser tratadas. Se qualquer coisa for passível de discussão ou de ponto de vista, cai-se no relativismo moral, no qual tudo é uma questão de opinião, tudo é válido, onde os adultos propõem discussões, mas não colocam claramente o que é certo ou errado. Considera-se que há princípios éticos que são universais, que em determinada época, quando foram formulados, foram exaustivamente debatidos.
Porém, atualmente, por serem universais, não são mais discutíveis. Esses princípios como a justiça, o respeito (a si mesmo, ao outro e ao patrimônio), a igualdade e a dignidade são explicados, mas sua validade ou pertinência não são passíveis de discussão. Não se debate se é bom ser justo, ou se deve-se ou não tratar o outro com respeito, como se esses princípios fossem uma simples questão de ponto de vista, de opinião pessoal. O que se discute é “como se faz justiça?”, “o que significa tratar o outro com respeito?”. A escola deve possuir princípios gerais (não negociáveis) que servirão de parâmetro para a elaboração das regras. Assim sendo, os princípios que são básicos e norteadores, não são debatidos, mas sim explicados, já as regras, que se fundamentam nos princípios, são discutidas (contrato). Infelizmente, a escola, em geral, ao invés de eleger os princípios que serviriam de diretrizes, estabelece uma extensa lista de normas no seu regimento (que poderiam ter sido elaboradas pelos seus integrantes em cima dos princípios, favorecendo a aprendizagem da democracia). Dessa forma, observa-se que a escola possui muitas normas e poucos princípios.
Levando sempre em conta os princípios norteadores supracitados, é necessário considerar ainda que na instituição escolar coexistem dois tipos de regras. Há regras que são negociadas, em que são realizados contratos (“combinados”) e outras que são necessárias, isto é, não são negociáveis. As regras não negociáveis são apenas refletidas e explicitadas quando for preciso, pois como são necessárias, não precisam ser discutidas ou elaboradas por todos. Alguns exemplos desse tipo de norma são: “Lavar as mãos antes da merenda”; “Escovar os dentes”; “Somente atravessar a rua quando estiver acompanhado”, “Não agredir”.
Macedo (1996) ressalta aos educadores a importância de haver regras que são obrigatórias para as crianças, ou leis como as classifica. Nem tudo pode ou deve ser combinado, como por exemplo, as regras de boa saúde: o escovar os dentes, não é nem pode ser, um “combinado”, pois é uma lei de boa saúde. O que pode ser feito ao colocar uma regra necessária, é dar uma certa margem de escolha dentro das limitações (“Crianças, vocês preferem passar o protetor e brincar no sol e na água ou preferem brincar na sombra?”), mesmo sabendo que ambas as opções desagradam a criança. Ao transformar uma limitação em uma escolha está sendo oferecido à criança pelo menos uma possibilidade de tomada de decisão (“Você gostaria de vestir o casaco branco ou o azul?”).
Para Macedo (op. cit.), “as regras de boa saúde, bom estudo, boa convivência social, são obrigatórias na medida em que valorizam o ideal de uma função. Mas, se a interpretarmos como simples e puros combinados encontramos um certo ‘democratismo’ que confunde tanto as crianças quanto os adultos”.(p. 192).
Essas leis não negociáveis existem em pequeno número na classe ou na escola, apenas quando realmente necessárias, e são reafirmadas de forma objetiva e firme quando surgem situações que as envolvam. Dizem respeito, principalmente, a não causar dano a si mesmo ou aos outros (incluindo o patrimônio). O adulto precisa questionar-se antes de colocar essa norma: Ela é indispensável? Vale a pena “brigar” por ela? Esses questionamentos são importantes pois, uma vez estabelecida, é preciso que ele demonstre claramente que está empenhado em sua validade, em seu cumprimento. É preciso sempre, pensar se as regras necessárias (ou as leis) são justas ou não.
As outras regras que visam organizar os trabalhos e asseverar a justiça têm origem nas necessidades do grupo, sendo construídas a partir de um consenso entre todos os elementos da classe. Em princípio, essas regras tem que garantir o bem estar de si próprio e dos outros. São contratos elaborados pelos integrantes da classe, sendo estabelecidas quando é preciso solucionar problemas particulares do grupo, como por exemplo, quando uma criança coloca que não considera justo que outras crianças não ajudem na limpeza da classe e na arrumação dos materiais. O professor novamente fará o papel de interlocutor, apresentando o problema, e intervindo com questões que levem as crianças à reflexão, até elaborarem a regra. Pois é muito comum após uma breve conversa com a classe, o professor colocar a regra sem ter discutido o problema com os alunos, oferecendo a regra pronta e acabada (“Vamos combinar isso?”). Procurar lembrar sempre que a maioria dos problemas de uma classe pertencem ao grupo e não somente ao professor, portanto não cabe apenas ao docente querer resolvê-lo.
Um outro aspecto importante diz respeito as sugestões que as crianças apresentam. É esperado que elas sejam rigorosas, que façam regras extremamente severas, que proponham coisas até absurdas, que aprovem e incentivem o uso pelo professor de procedimentos como recompensas e punições, que incitem o emprego de humilhações e censuras, entretanto, ressalta-se que o professor não deve aceitar tudo aquilo que “vem da criança”. Como interlocutor, irá colocar questionamentos e contra-argumentos, realizando uma reflexão sobre a regra proposta, se ela é razoável, se não haveria uma solução melhor. É importante que o professor coloque novas argumentações em cima das propostas apresentadas pelas crianças, não aceitando qualquer “solução” ou justificando arbitrariedades em nome do “querer dos alunos”.
Uma vez estabelecida, a regra deve ser cumprida por todos, sem exceção, inclusive pelo professor. O mesmo é válido para as regras não negociáveis; por exemplo, se todos devem escovar os dentes após as refeições, o educador precisa ser o primeiro a dar o exemplo, escovando-os após alimentar-se na escola.
É importante colocar que ao elaborar uma regra, não se pode estabelecer ao mesmo tempo a sanção que corresponderá ao desrespeito a essa norma. Isto porque, ao combinar-se uma sanção para determinada regra, está transmitindo-se a mensagem de que ela pode vir a ser desrespeitada, tanto assim que já está sendo previsto o que acontecerá com o infrator. E o outro motivo, é que, devido as características de seu desenvolvimento, as crianças pequenas ainda não possuem condições de decidirem qual sanção é mais adequada, sendo muitas vezes injustos ou excessivamente rigorosos. Ao estabelecer a regra e o “pagamento” no caso de infração, aprendem que a mesma pode ser desrespeitada (contanto que se pague o preço). Fica uma relação “custo-benefício”, pois a criança passa a calcular em termos do preço que vai pagar pelo não cumprimento da norma, quitando assim o “débito”
É preciso que o educador tenha o cuidado de não se antecipar construindo algumas regras antes que os problemas surjam, mas esperar que as situações apareçam espontaneamente para colocá-las aos alunos. A criança precisa, anteriormente à regra, perceber o efeito que o seu comportamento tem com relação ao outro. Os professores com certeza, já sabem a necessidade de elaborar inúmeras regras como: “andar devagar”, “falar baixo”, “falar um de cada vez”, etc. Mas as crianças não antecipam essa necessidade das regras de convivência do grupo. Por isso, se requer que os alunos quando possíveis sintam a necessidade daquela norma. Assim, não se combinam todas ou as principais regras apenas no começo do ano, mas somente após as crianças sentirem a necessidade delas existirem. E novas regras vão sendo acrescentadas, ou mesmo sendo mudadas, quando for preciso, ao longo do ano, num processo de negociação constante.
Ao rever e rediscutir as regras sempre que for preciso, ao modificá-las ou construir outras quando necessário, o professor está auxiliando a criança a compreender que uma norma não é boa ou ruim por si mesma, e que a validade dessa regra não depende da autoridade de quem a impõe, mas sim, da função que exerce para as pessoas que fazem uso dela, portanto, as pessoas podem mudar as regras. Atuando nessa direção, o ambiente educacional está favorecendo a compreensão pela criança de que as regras vão se construindo na medida da sua necessidade e são elaboradas por várias pessoas e não só a autoridade: pelo professor, pelos colegas, por ela mesma.
Consideramos necessário ressaltar que às vezes o professor ingenuamente acredita que, quando surge algum problema ou indisciplina, basta fazer regras. Entretanto, constata-se que, freqüentemente, essas regras não dão certo. O professor precisa sempre refletir se os indícios de indisciplina não são decorrentes de uma didática pobre e desinteressante, de uma postura autoritária ou permissiva ou ainda relacionados a ausência de uma boa dinâmica na classe crianças muito tempo sentadas, esperando, sem fazer nada.
Muitas vezes, a questão não deve ser resolvida com uma nova regra, mas sim com uma séria e imparcial revisão do problema, com tomada de consciência e com mudanças de postura, procedimentos ou estratégias pelo educador. É necessário que procure compreender os motivos, que seja feita uma revisão imparcial e profunda da questão, do contrário, está-se atuando apenas em cima das conseqüências e não na principal causa do mesmo.
As outras regras que visam organizar os trabalhos e asseverar a justiça têm origem nas necessidades do grupo, sendo construídas a partir de um consenso entre todos os elementos da classe. Em princípio, essas regras tem que garantir o bem estar de si próprio e dos outros. São contratos elaborados pelos integrantes da classe, sendo estabelecidas quando é preciso solucionar problemas particulares do grupo, como por exemplo, quando uma criança coloca que não considera justo que outras crianças não ajudem na limpeza da classe e na arrumação dos materiais. O professor novamente fará o papel de interlocutor, apresentando o problema, e intervindo com questões que levem as crianças à reflexão, elaborarem a regra. Pois é muito comum após uma breve conversa com a classe, o professor colocar a regra sem ter discutido o problema com os alunos, oferecendo a regra pronta e acabada (“Vamos combinar isso?”). Procurar lembrar sempre que a maioria dos problemas de uma classe pertencem ao grupo e não somente ao professor, portanto não cabe apenas ao docente querer resolvê-lo.
Um outro aspecto importante diz respeito as sugestões que as crianças apresentam. É esperado que elas sejam rigorosas, que façam regras extremamente severas, que proponham coisas até absurdas, que aprovem e incentivem o uso pelo professor de procedimentos como recompensas e punições, que incitem o emprego de humilhações e censuras, entretanto, ressalta-se que o professor não deve aceitar tudo aquilo que “vem da criança”. Como interlocutor, irá colocar questionamentos e contra-argumentos, realizando uma reflexão sobre a regra proposta, se ela é razoável, se não haveria uma solução melhor.
É importante que o professor coloque novas argumentações em cima das propostas apresentadas pelas crianças, não aceitando qualquer “solução” ou justificando arbitrariedades em nome do “querer dos alunos.Uma vez estabelecida, a regra deve ser cumprida por todos, sem exceção, inclusive pelo professor. O mesmo é válido para as regras não negociáveis; por exemplo, se todos devem escovar os dentes após as refeições, o educador precisa ser o primeiro a dar o exemplo, escovando-os após alimentar-se na escola.
É importante colocar que ao elaborar uma regra, não se pode estabelecer ao mesmo tempo a sanção que corresponderá ao desrespeito a essa norma. Isto porque, ao combinar-se uma sanção para determinada regra, está transmitindo-se a mensagem de que ela pode vir a ser desrespeitada, tanto assim que já está sendo previsto o que acontecerá com o infrator. E o outro motivo, é que, devido as características de seu desenvolvimento, as crianças pequenas ainda não possuem condições de decidirem qual sanção é mais adequada, sendo muitas vezes injustos ou excessivamente rigorosos. Ao estabelecer a regra e o “pagamento” no caso de infração, aprendem que a mesma pode ser desrespeitada contanto que se pague o preço. Fica uma relação “custo-benefício”, pois a criança passa a calcular em termos do preço que vai pagar pelo não cumprimento da norma, quitando assim o “débito”.
É preciso que o educador tenha o cuidado de não se antecipar construindo algumas regras antes que os problemas surjam, mas esperar que as situações apareçam espontaneamente para colocá-las aos alunos. A criança precisa, anteriormente à regra, perceber o efeito que o seu comportamento tem com relação ao outro. Os professores com certeza, já sabem a necessidade de elaborar inúmeras regras como: “andar devagar”, “falar baixo”, “falar um de cada vez”, etc. Mas as crianças não antecipam essa necessidade das regras de convivência do grupo. Por isso, se requer que os alunos quando possível sintam a necessidade daquela norma. Assim, não se combinam todas ou as principais regras apenas no começo do ano, mas somente após as crianças sentirem a necessidade delas existirem. E novas regras vão sendo acrescentadas, ou mesmo sendo mudadas, quando for preciso, ao longo do ano, num processo de negociação constante.
Ao rever e rediscutir as regras sempre que for preciso, ao modificá-las ou construir outras quando necessário, o professor está auxiliando a criança a compreender que uma norma não é boa ou ruim por si mesma, e que a validade dessa regra não depende da autoridade de quem a impõe, mas sim, da função que exerce para as pessoas que fazem uso dela; portanto, as pessoas podem mudar as regras. Atuando nessa direção, o ambiente educacional está favorecendo a compreensão pela criança de que as regras vão se construindo na medida da sua necessidade e são elaboradas por várias pessoas (e não só a autoridade): pelo professor, pelos colegas, por ela mesma, etc. Consideramos necessário ressaltar que às vezes o professor ingenuamente acredita que, quando surge algum problema ou indisciplina, basta fazer regras. Entretanto, constata-se que, freqüentemente, essas regras não dão certo. Isso ocorreu em uma classe do 3º ano do ensino fundamental. Nessa classe as crianças interrompiam a aula o tempo todo para pedirem autorização ao professor para irem ao banheiro. Combinou-se que só iriam um de cada vez e não poderiam sair durante alguma explicação importante. Mesmo assim, quando alguém chegava do banheiro, imediatamente outro levantava e saía, e depois mais outro, formando filas de crianças esperando sua vez para irem ao banheiro ou tomar água.
Portanto o professor precisa sempre refletir se os indícios de indisciplina não são decorrentes de uma didática pobre e desinteressante, de uma postura autoritária ou permissiva ou ainda relacionados a ausência de uma boa dinâmica na classe crianças muito tempo sentadas, esperando, sem fazer nada. Muitas vezes, a questão não deve ser resolvida com uma nova regra, mas sim com uma séria e imparcial revisão do problema, com tomada de consciência e com mudanças de postura, procedimentos ou estratégias pelo educador. É necessário que procure compreender os motivos, que seja feita uma revisão imparcial e profunda da questão, do contrário, está-se atuando apenas em cima das conseqüências e não na principal causa do mesmo.

BIBLIOGRAFIAS

REGO, Teresa Cristina: A indisciplina o processo educativo: uma análise na perspectiva vygotskiana. IN: AQUINO, Júlio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996. p. 83 – 101

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. (In)Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula e na escola. São Paulo: Libertad Editora, 2004.

MIELNIK, Isaac. O Comportamento Infantil: Técnicas e Métodos para entender Crianças. 2.ª edição, editora: Ibrasa, São Paulo – SP, 1982.

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