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julho 2, 2010

Contribuições e compreensão da indisciplina no cotidiano escolar/ JULIANA

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Contribuições e compreensão da indisciplina no cotidiano escolar

Juliana Bandeira da Silva (2010)

1. Introdução
Estamos propondo neste estudo, uma análise em volta dos elementos que podem vir a desencadear a indisciplina na escola, tais como falta de estrutura física, falta de um acompanhamento mais consistente ou ainda problemas sociais e econômicos. Nossa análise passa pela certeza de que para suplantarmos a indisciplina precisamos prioritariamente compreende-la.
Contudo, ressaltamos ainda a importância no ambiente escolar, da percepção de outras dificuldades demonstradas pelos alunos, a saber, transtornos, distúrbios e outras deficiências que possam estar ligada a indisciplina.
Nosso propósito com este estudo é contribuir para um entendimento a indisciplina em específico no que se diz respeito a escola, procuraremos demonstrar não como comportamento isolado ou simplesmente rebeldia do aluno, e sim no âmbito de seu ciclo de vida, observando e transpassando suas manifestações, o que acreditamos ser de bastante valia para um propósito de educação e aprendizado que se volte para o desenvolvimento do aluno por completo.
Logo, entendemos que tal comportamento geralmente vem se mostrar como uma solicitação de apoio por parte do aluno, que precisa ser compreendido para a partir de então compreender o mundo que está em sua volta.
RELAÇÃO ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

Sobre vivência escolar e sociedade, Paulo Freire (1999), nos afirma dizendo: “a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Para Zaguri (2006), a família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade futura, mas é também o centro da vida social. Neste sentido, não há como fugir da premissa de que a família tem grande responsabilidade na formação do caráter do criança como também na sua formação enquanto pessoa disciplinada, que saiba valorizar o outro, que consiga e tenha capacidade de conviver com as outras pessoas, na escola, na igreja, com os amigos e colegas e em qualquer outro ambiente social.
O esforço da família é sem dúvida fundamental para uma criação digna de reconhecimento em relação à disciplina do filho. A criação em casa vai refletir com certeza nos outros ambientes sociais no qual a criança irá participar, no período de sua infância e posteriormente ao se tornar adulta. Este esforço implica envolvimento na escola, saber o que o filho está fazendo, onde foi, que horas retorna e etc. Também requer olhar atento sobre as diferentes atitudes da criança, seu comportamento, e sobretudo sua conduta na escola.
De acordo com Barrozo e Macedo (2010)
Para que os pais possam sentir-se membros participativos da escola, é necessário primeiramente que a conheçam, bem como o seu funcionamento, às suas funções e o seu trabalho. Para tanto é essencial que se tenha uma comunicação efetiva. Como atesta Bock (1999), a comunicação é o fator necessário para que os familiares se envolvam mais e auxiliem mais a escola, caso isso não ocorra passa a prejudicar toda a dinâmica e a dificultar o ideal de participação democrática dos pais na escola. Bock (1999) sustenta que a família renunciou às responsabilidades que anteriormente desempenhava no âmbito educativo e passou a exigir da escola que ajudasse a ocupar o vazio que nem sempre tinha capacidade de preencher. Deste modo, na atualidade, as crianças chegam à escola e desenvolvem sua escolaridade sem o apoio familiar tradicional.
Essa erosão do apoio familiar não se expressa só na falta de tempo para ajudar as crianças nos trabalhos escolares ou para acompanhar sua trajetória escolar. Num sentido mais geral e mais profundo, produziu-se uma nova dissolução entre família e escola, pela qual as crianças chegam à escola com um núcleo básico de desenvolvimento da personalidade caracterizado seja pela debilidade dos quadros de referência, seja por quadros de referência que diferem dos que a escola supõe e para os quais se preparou (TEDESCO, 2002, p.36).

A escola também é detentora de grande responsabilidade na formação política e cidadã do sujeito. É a instituição escola que deve ajudar o aluno de maneira a transmiti-lo valores éticos e morais. Estes valores são muito importante e podem ser considerados essenciais para uma convivência harmoniosa em sociedade.
Quando falamos na relação escola X família, logo abre-se espaço para uma discussão interessante. É claro que na maioria das vezes, há uma defesa de ambas as partes que tendem a empurrar os problemas que lhes são peculiares, como uma tentativa de fugir das críticas que lhes serão atribuídas. O fato me parecer ser que o mais provável é que tanto a escola quanto a família devem estar abertos a mudanças significativas que irão promover o sucesso e crescimento dos alunos, das crianças.
Sobre esta relação, Bock (1999) afirma:
“O potencial desenvolvimento de um ambiente aumenta em função do número de vínculos apoiadores existentes entre aqueles ambientes e outros ambientes (tais como a casa e a família). Assim, a condição menos favorável para o desenvolvimento é aquela em que os vínculos suplementares ou não são apoiadores ou estão completamente ausentes – quando o mesossistema está fragilmente vinculado”.

Na Escola Municipal de Tempo Integral “Paulo Freire”, a questão dos vínculos apoiadores no qual Bock comenta, tem sido uma constante. O aluno que os pais são mais presentes na escola, que se preocupam com o comportamento, com a boa conduta e com as boas notas no boletim, tendem a ser mais disciplinados, mais interessados e compreendem melhor as questões de relacionamento interpessoal. Já em casos que os pais não se fazem presentes, não se preocupam com a boa conduta do filho, nem tão pouco intervêm no seu comportamento escolar, tornam-se discentes indisciplinados, alunos que “dificultoso”, não assimila o conteúdo, não aprendem quase nada.

MOTIVOS QUE CONTRIBUEM PARA A INDISCIPLINA ESCOLAR

Segundo Guimarães e Aguiar (2010):
Diversos são os motivos, do qual exige reflexão e busca de soluções, pois será a partir da reflexão do professor sobre a sua prática, e uma possível mudança na sua forma de atuar, que poderão transformar os “comportamentos” na escola. Buscar caminhos interessantes que possam orientar esse percurso de reflexão e mudança deve ser constante na prática do professor. Conforme aponta Gabriel Pillar Grossi (2009), “indisciplina não é um problema pontual, que se resolve com um remédio já conhecido.”

Fatores Internos
A estrutura interna de um prédio escolar pode ter influências direta no comportamento do aluno. As salas não climatizadas, com temperatura elevada, as crianças se agitam e conseqüentemente pode gerar a indisciplina, a violência, o stress. Os ventiladores fazem um barulho alto, daí restam duas opções: ou o professor desliga e controla a conversa paralela, e os alunos ficam transpirando de tanto calor, ou o professor deixa os ventiladores ligados e ninguém ouve nada. Alem disso, a falta de um espaço para recreação da turma pode não oferecer oportunidade de uma convivência mais descontraída. Sendo assim, pode comprometer em larga escala o aprendizado dos alunos.
A falta de um espaço adequado na estrutura física da escola é um agravante também quando o assunto é motivação. Como que o aluno irá senti-se motivado em um ambiente sufocante, que não possui em suas instalações uma estrutura que lhe ofereça um padrão mínimo de qualidade? Seria muito mais interessante para o aluno, se a instituição escolar lhe propiciar uma coisa mais agradável, um parquinho, uma brinquedoteca, uma sala de cinema (cineclubinho), uma boa quadra de esporte, um laboratório de informática decente, uma biblioteca com um excelente acervo, com literatura infanto-juvenil, com livros de uma linguagem tipicamente infantil.
Fatores Externos
Em relação a esta temática nos afirma Cury (2003), “Vivemos tempos difíceis. As regras e os conselhos psicológicos parecem não ter mais eficácia. Pais […] se sentem perdidos, sem ferramentas para penetrar no mundo dos filhos.” A violência doméstica, os vínculos familiares quebrados, a estrutura familiar abalada, distúrbios psicológicos de pais e filhos, o alcoolismo, a situação de pobreza, a miséria, a falta de diálogo entre a família dentre outros fatores, só contribuem para aumentar ainda mais o nível de indisciplina.
A convivência familiar é um espelho para o filho na escola, lá será o pára-choque onde a maioria dos problemas irão esbarrar. Daí a relevância de ter uma proposta pedagógica adequada à realidade dos discentes, como também a importância de um corpo docente preparado para lidar com diversos tipos de causas e efeitos, para no tempo certo, aplicar a solução na tentativa de controlar cada situação, por mais complexa que esta seja.
Relação professor aluno
Deve ser uma relação de afetividade, de amizade, de respeito mútuo de ambas as partes. O professor não deve ser autoritário, mas deve ter controle de sala, ter autoria, ser autor, para a partir de então obter sucesso na sua prática pedagógica. Neste sentido, será que pode-se afirma que o professor é um causador de indisciplina?
Sobre este questionamento, Guimarães e Aguiar (2010) reflete o seguinte pensamento:
Por que dizer que o professor pode provocar a indisciplina dos alunos? De acordo com a teoria Behaviorista o comportamento é um conjunto de reações ou respostas do organismo aos estímulos que o indivíduo recebe do meio. Dentro dessa abordagem também temos o Condicionamento Operante, realizado por Skinner, do qual caracterizou esses princípios em Reforço Positivo, que nas ações pedagógicas refere-se à apresentação de estímulos aos alunos (elogios, valorização, dinamismo) e Reforço negativo, quando fortalece a retirada de algo que causa desprazer no aluno (punições, aulas expositiva longa e repetitiva, etc.). Segundo Skinner, o comportamento aprendido é uma resposta a estímulos externos controlados por meio de reforços que ocorrem com a resposta.

Se o professor não for capaz de lidar com a indisciplina, claro que o mesmo pode causar ou ser um pivô do fenômeno. Mas, não se pode partir de conclusões precipitados e afirmar que o professor é o único culpado pelo mal comportamento dos alunos. Tenho visto relatos e escritos de autores que afirmam em suas literaturas que se o aluno não gosta de ficar dentro da sala é porque a aula não está sendo atraente, é porque o professor não está propiciando coisas interessantes para o aluno. Posso até concordar em partes, mas, devo aqui expor minha forma de pensar dizendo que, nem todos os casos são idênticos, penso que cada indivíduo possui sua singularidade. Neste sentido vale a pena relembrar que há casos em que como nos afirma Guimarães e Aguiar (2010)

É preciso reconhecer que a falta de interesse pelos estudos, comportamentos agressivos ou silenciosos dos alunos podem está subordinados a fatores externos (familiar, psicológico, problemas econômico) e fatores internos (didática do professor, bullying, falta de aptidão para algum conhecimento).

Isto significa dizer que tanto professor, escola, família, governo e sociedade possuem responsabilidade na formação do indivíduo.

INDISCIPLINA – COMO TRATÁ-LA

O fenômeno indisciplina não há probabilidade de acabar por completo, mas, existem chances claras de amenizá-las. Para controlar esta “doença” que contamina todas as escolas,( difícil imaginar alguma escola que não haja nem um caso de alunos indisciplinado), é preciso muito esforço de todas as partes envolvidas, estudos, pesquisas e competência, apoio de diversas órgãos públicos tais como: Conselho Tutelar e Ministério Público, alem de profissionais que possuem habilidades para lidar com o problema: Psicopedagogo, Assistente Social, Psicólogo dentre outros.
Numa tentativa de amenizar o problema da indisciplina entre os alunos, cabe aqui destacar algumas ideias interessantes que, segundo Rodrigues (2010) podem ajudar:

• Municiar as escolas de informações, instruindo e orientando a comunidade escolar sobre o que é indisciplina e o que configura ato infracional, bem como as conseqüências previstas para essas atitudes.

• Difundir a importância do Regimento Escolar e das sanções nele contidas para os casos de indisciplina, desde que estejam em conformidade com a Lei e sem impedimento do direito ao acesso e permanência na escola.

• Produzir um material de fácil acesso ao professor, que aproxime aquilo que é previsto pela legislação vigente à realidade atual da escola.

• Divulgar para o conhecimento da comunidade escolar, os parâmetros de atuação em casos de indisciplina e violência cometidos no ambiente escolar.

• Conscientizar a todos, educadores e educandos, sobre a necessidade de regras claras que norteiem as ações desses sujeitos, construindo relações pautadas na cordialidade e respeito mútuo.

• Buscar parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Porto Franco, Conselho Tutelar, Proerd, Promotores de Justiça da Infância e Juventude, Psicopedagogos e Técnicos de Comunicação Social na elaboração da Cartilha.

• Educar para a democracia fundamentada nos regulamentos escolares, nos Direitos Humanos, na LDB, no Estatuto da Criança e do Adolescente onde o aprendizado seja pautado na discussão, no diálogo e da argumentação, ferramentas essenciais para essa tarefa.
Lidar com alunos indisciplinados não é uma tarefa fácil, requer, sobretudo,
competência de quem está envolvido, seja professor, escola ou mesmo os pais. Na escola, o professor deve estar seguro de suas ações quando estiver lidando com discentes indisciplinados, deve ter bastante cuidado na forma como agi com estes indivíduos.
Para Vinha (2009,p.5), conhecer como se dá aprendizagem é uma arma poderosa imprescindível para o professor que deseja disciplinar seus alunos.

“Seu papel na construção é conhecer como se dá a aprendizagem e, com base nessa compreensão, planejar as aulas, além de ter segurança sobre o conteúdo a ser trabalhado. A medida parece muito básica – e é. Ela vale para manter a disciplina e para chegar ao objetivo principal: fazer com que todos aprendam.

Aqui descrevo algumas dicas que podem ajudar no “tratamento” deste problema.

1 – Desenvolver ações pedagógicas que atraia de alguma forma a criança, para que esta se sinta envolvida e importante, usando para isso atividades lúdicas com o objetivo maior de fazer esta aprender.

2 – Falar claro e ser objetivo o máximo possível, para que o aluno entenda e compreenda a mensagem que você quer passar.

3 – O respeito, a moral e ética são um tripé imprescindível para que haja uma relação respeitosa mutuamente entre o professor e o aluno.

4 – Saber ouvir a criança é importante para orientá-la posteriormente. Ao invés de apenas impor, porque não mostrar as razões e os porquês das coisas.

5 – Conscientização é sempre um ótimo “remédio” que ajuda no processo de aprendizagem de alunos indisciplinados.

6 – Dar responsabilidade aquele aluno mais indisciplinado da turma, em alguns casos, pode ser uma ótima alternativa.

7 – Criar laços de afetividade, de amor e de carinho com a criança pode determinar a confiança dela no professor, e quando isto acontece, os resultados são muito mais positivos.

8 – Estar próximo do aluno, prestar atenção nas suas atitudes, “descobrir” seu temperamento.

9 – Nunca quebrar as regras que foram combinadas em sala, para que não haja quebra de confiança.

10 – E por fim, conhecer o a realidade do aluno, de sua família, do seu bairro. Sempre questiono meus alunos sobre as profissões de seus pais. Não se trata de tentativa de invasão de privacidade, mas, sim de uma forma de conhecimento da realidade e do cotidiano do aluno.Isto, pode ajudar e muito na compreensão do seu comportamento.

COMENTÁRIOS FINAIS

Toda atividade pedagógica, didática, lúdica, recreativa e etc., só faz sentido quando implica aprendizagem. Alunos indisciplinados devem aprender tanto quanto alunos disciplinados, por mais que isto pareça ser difícil, mas, não se deve menosprezar os casos específicos, pelo contrário estes, devem ser estudados com afinco, merecem uma atenção redobrada para que haja um aprendizado excelente, sem perdas, sem enrolação.
O aluno deve aprender sempre na condição de sujeito, nuca na condição de objeto porque poder injustiçar suas habilidades cognitivas. Todo e qualquer ser humano possui alta capacidade de aprender algo, e o professor deve estar atento a estas questões, deve proporcionar a cada educando individualmente, aprendizado contínuo, avaliando-o a todo instante, a cada gesto, a cada movimento, sua leitura, sua escrita, suas habilidades de expressão e re/criativas com o intuito de torná-lo sujeito autônomo, autor de suas próprias ideias, construtor de conhecimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

TEDESCO, J. C. O novo pacto educativo: Educação, competitividade e cidadania na sociedade moderna. São Paulo: Ática, 2002.
BOCK, Ana M. Bahia (org). Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 1999.
Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo:Olho D’água, 1993.
VINHA, Telma.Como se Resolve a Indisciplina?:Revista Nova Escola, Edição n°226,Outubro de 2009, p.5.

Disponível em http://revistaescola.abril.com.br/formacao/.
Em 19.04.010

Francinete Barrozo – Sandiléa Macedo – A Escola e a família na superação da indisciplina (2010), on line.
Josilene Estrela Guimarães – Sônia Maria Arruda Aguiar – Indisciplina no ambiente escolar – (2010), on line.
Eva Marinho Rodrigues: Como enfrentar a indisciplina no cotidiano escolar – (2010), on – line.

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