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julho 2, 2010

A Indisciplina Escolar/CARMEM

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A Indisciplina Escolar

Carmem Lúcia Marinho Parreão (2010)

Introdução

Procuro aqui levantar algumas questões que gira em torno da indisciplina escolar,propondo assim uma reflexão dos diversos fatores que contribuem para que o aluno seja indisciplinado, entre eles, falta de estruturação das escolas ou até mesmo problemas sociais e familiares. Sabendo que a indisciplina escolar está sendo um dos maiores desafios do educador do século XXI. Pretendo com esse texto trazer algumas contribuições para que o educador compreenda o que está gerando esta indisciplina, pois este é o responsável direto pelo aluno, não compreendendo a indisciplina, o educador acaba frustrando, repassando aos educandos suas frustrações e pessimismo. Levando assim o aluno a se sentir com baixa estima ou até mesmo rejeitado ou excluído. Às vezes o educador sente-se sozinho neste barco é onde surge a necessidade de apoio ao educador, para que ele possa cuidar bem da aprendizagem de seus alunos.

O Professor, e a Indisciplina Escolar

Muitos casos de indisciplina na escola as vezes são apontadas somente para o professor como nos diz Tereza C. Rego (2007, p. 22):

Os profissionais da educação (diretores, coordenadores, técnicos, e etc.) e muitos pais quando provocados a analisar as possíveis causas da incidência desse comportamento nas escolas, muitas vezes acabam por atribuir a responsabilidade ao professor. Nessa ótica, a origem da indisciplina está relacionada exclusivamente a falta de autoridade do professor, de seu poder de controle e aplicação de sanções. O problema parece reduzir-se a presença de maior ou menor “pulso” para administrar e controlar a turma de alunos assim como aplicar medidas punitivas mais ou menos rigorosas.

Sabemos que muitas vezes o professor é taxado como uma pessoa sem controle de sala, sem autoridade, mas essa autoridade não pode ser confundida com autoritarismo. A autoridade é gerada da confiança que ele adquire com seus alunos quando ele é taxado assim as outras partes responsáveis pela educação das crianças estão esquecendo do seu papel que também deve ser exercido dentro e fora da escola. Pois como define Torres (2003, p. 83)

Uma comunidade de aprendizagem é uma comunidade humana organizada que constrói um projeto educativo e cultural próprio para educar a si própria, suas crianças seus jovens e adultos, graças a um esforço endógeno, cooperativo e solidário, baseado em um diagnóstico não apenas de suas carências, mas, sobretudo, de suas forças para superar essas carências.

Torres apenas nos confirma que, para que tenhamos sucesso em nossos projetos é necessário que toda a comunidade se empenhe e sejamos todos parceiros cada um desempenhando seu papel.
Os professores em seu cotidiano se queixam dos problemas da indisciplina escolar que tanto os afligem. Hoje posso aqui relatar vários problemas que encontrei quando comecei a trabalhar na ETI “Paulo Freire” por se situar em um bairro onde encontramos graves problemas familiares e sociais, um dos mais graves problemas entre os alunos era a violência, essa reação nos mostrou que algo não estava acontecendo de forma dinâmica e atraente, levando-nos a uma reflexão e a várias mudanças.
Posso também aqui relatar que os meses foram se passando e os problemas diminuindo na minha sala de estudos a uns dois meses nenhum aluno se agrediu fisicamente. Percebo também que a maior parte da indisciplina que tinha em minha sala de estudos, era também uma reação, pois estes sentiam-se presos, pois estavam acostumados passar o tempo inteiro na rua, mas agora eles estão mais adaptados, gostando de ficar na escola, pois esta lhes oferece momento de aprendizagem e lazer.
Este problema de indisciplina escolar acontece em todas as escolas e em todas as salas de aulas, mas às vezes não são resolvidos, porque todos se perguntam: de quem é a culpa de tanta indisciplina? Sem se dar conta que a culpa é de tudo que gira em torno da criança, é da família, da escola é do professor ,por ser este o responsável direto para que o aluno aprenda bem, ou não, ou seja, ele deve buscar todos os artifícios para que o aluno encontre na sala de estudos estímulo e eficácia na aprendizagem.
Muitos professores apontam a questão da indisciplina somente para que haja mudança no aluno, no entanto se esquece de auto-avaliar-se, precisamos ter cuidado, pois a indisciplina também pode ser gerada de momentos de estudos maus elaborados e repetitivos, onde só o professor pode falar e o aluno é mero ouvinte. Esse professor precisa rever suas práticas para então almejar no futuro alunos disciplinados.
Segundo Celso Antunes ( 2002, p. 31) “Uma excelente maneira de habituar o aluno à disciplina que todos queremos é a segurança em perceber que no futebol, na casa, na rua, na vida e, é claro na escola existem regras e existem a serenidade de quem as relembra e cobra”. Isso nos mostra o valor de seguir regras e estabelecer limites, pois as regras devem ser seguidas não só por alunos, mas deve começar pelo professor, para que eles lhe vejam como exemplo a ser seguido.
O professor deve ser organizado, ter auto-estima, ser conselheiro e buscar ouvir, compreender cada aluno no seu individual, para então buscar solucionar com sabedoria suas angústias e aflições, construindo assim um elo entre professor e aluno, esse passo é muito importante para que a escola se torne um lugar onde a criança sinta-se acolhida e seja um ambiente prazeroso para ocorrer a aprendizagem.
Assim fala Mielnik (1982):
“Crianças excessivamente inquietas, agitadas, com tendências à agressividade, se destacam no grupo pela dificuldade de aceitar e cumprir as normas, às vezes, não conseguindo produzir o esperado para sua idade. Estas crianças representam um desafio para suas famílias e escola, cabendo a estes estabelecer os métodos de orientação mais condizentes a cada situação e estabelecer os níveis de regimes necessários para obtenção da disciplina.” (p. 60).

No cotidiano das escolas é comum presenciar todos os dias cenas de descumprimento a regras da escola. Em muitas escolas os educadores ficam de mãos atadas pois, os alunos sentem-se donos da razão praticando assim atos que não condizem com o perfil de sujeitos disciplinados.

Como sabemos para que ocorra a aprendizagem o aluno precisa senti-se motivado é através da motivação que o aluno sente-se útil, é fundamental que o professor conheça as qualidades de seus alunos, para elogiá-los e os motivar isto leva o aluno a crescer no seu individual e sentir a necessidade de mudança é a partir da motivação que iremos construir alunos mais disciplinados.
A motivação não leva ao total desaparecimento da indisciplina, pois há casos específicos que a indisciplina vai além dos esforços dos professores, posso aqui também relatar que na E.T.I. “Paulo Freire” podemos perceber que alguns alunos vem fazendo com que os educadores se redobrem, mas estes educadores vem conseguindo vitórias, pois o principal objetivo é levar o aluno em todos os momentos a “aprender bem” seja dentro ou fora das salas de estudo. Por esse motivo os educadores buscam apoio aos gestores e ao GB ( Grupo Base), para que ambos encontrem o caminho mais viável, para a resolução dos problemas encontrados. Uma das soluções que encontramos é levar o aluno a pensar e construir, ou seja, levá-lo a se sentir autor de seu próprio conhecimento.
Segundo Celso Antunes (2002, p. 17) “Jamais mate a curiosidade apresentando afoitadamente a resposta; faça-os buscar pelos caminhos da pesquisa, pela reflexão do debate. Você perceberá que a “aula voa”, a indisciplina se esconde, o interesse cresce”. Isso nos mostra o valor da pesquisa e do debate como ponto de partida que o aluno encontre respostas e torne-se sujeito crítico e autônomo. É através da pesquisa que ele irá usar as tecnologias disponíveis na escola, mas sabemos que estas pesquisas devem ser planejadas e organizadas pelo professor.
Quando falamos de pesquisa, devemos rever que objetivos os professores tem para está, pois sabemos que a pesquisa apenas para notas ou um simples passa tempo, não leva o aluno a se sentir motivado a pesquisar, pois esta necessita de orientação e acompanhamento do professor. Posso aqui relatar que com os alunos da E.T.I. “Paulo Freire”. A pesquisa na internet, também foi um passo positivo para os problemas de indisciplina dentro da escola, pois este ao começarem a usar a tecnologia sentirão o gosto de está em frente à tela de um computador fazendo assim a leitura de diversas curiosidades e assuntos que foram planejados e objetivados pelo professor, pois como nos afirma Poli (2006, 127) “A criança precisa receber regras claras e objetivas, que premiam a boa conduta e disciplinam a má sem grito nem agressões; apenas fazendo com que as regras existem em tudo que vamos fazer e que só conseguimos êxito se a respeitarmos.
A criança precisa sentir segurança e firmeza no professor para que o trabalho seja dinâmico e atraente para o aluno. Posso aqui dar algumas dicas que contribuiu para a melhoria da indisciplina E.T.I. “Paulo Freire”:

• Olhe sempre no olho do seu aluno ao falar com ele
• Seja sempre você o primeiro a cumprir as normas e regras da escola
• Seja pontual e organizado
• Converse sempre com seu aluno
• Procure sempre conhecer a individualidade do seu aluno
• Cumprir sempre o que falar para seus alunos.
• Nunca retirar a criança da sala de aula, procure mostrar que ela é importante na sala e na escola.
• Ter sempre o cuidado de mostrar o que os alunos irão fazer durante o dia, ou seja, eles devem ver a rotina de cada dia.
• Observar e acompanhar todas as atividades que solicitar ao seu aluno.
• Chamar sempre o aluno pelo seu nome.
• Dê sempre alguma responsabilidade à criança, assim ela irá sentir-se útil.
• Nunca faça para os alunos o que eles mesmos conseguem fazer sozinhos.
• Planeje seus momentos de estudo de forma que os alunos se envolvam.

O que o espaço escolar tem a ver com a indisciplina

A escola também é responsável pela educação das crianças, mas quando esta não está preparada fisicamente pode interferir no comportamento de algumas crianças. Quando falamos em estrutura física, logo pensamos o que isso tem a ver com a indisciplina escolar? Posso aqui relatar um pouco da minha experiência na E.T.I. “Paulo Freire”, a estrutura física da escola interfere bastante, pois a mesma é uma escola onde as crianças ficam o dia inteiro na escola, por se situar em um bairro onde costumamos ver as crianças o dia inteiro nas ruas, podemos falar que nos primeiros meses eles sentiram se em uma prisão e a única reação que eles tinham era a violência entre eles. Mas agora com a diversidade de atividades que eles encontram na E.T.I. “Paulo Freire”, a questão indisciplina, melhorou.

As escolas devem dispor de salas de aula amplas, e arejadas, de laboratório de informática, biblioteca e quadra de esportes, onde os alunos tenham acessos a atividades dirigidas para que em todos os espaços as crianças sejam levadas a aprendizagem. Como sabemos nem todas as escolas dispõem de uma estrutura física adequada, pois as salas são quentes, onde eles não dispõem de espaço para descanso e nem de parques, e a biblioteca não é adequada á sua idade, mas os professores e gestores têm procurado diversificar as atividades das crianças com o que a escola dispõe.
O espaço escolar deve ser acolhedor, calmo e organizado, onde todos possam participar com autonomia dos momentos de estudo. Como nos afirma Tiba (2006, p. 128) “Classes muito barulhentas, nas quais ninguém ouve ninguém; salas muito quentes, escuras, alagadas ou sem condições de acomodar todos os estudantes são locais pouco prováveis de se conseguir boa disciplina”. As palavras de Tiba apenas afirmam que as crianças devem ter um espaço escolar, bem organizado e com uma estrutura física adequada, só então poderemos ter menos indisciplina nas escolas.
A indisciplina na escola também pode vir da falta de cumprimentos das regras e normas estabelecidas pelo regimento interno da escola. Como nos diz Poli (2006, p.164) “O caminho precisa ser trilhado em conjunto. Quando você anda com a criança, o seu exemplo serve de referencial para ela”. A escola também tem esse papel de acompanhar em conjunto com todo o corpo docente o caminho que a criança está trilhando, sabendo que a escola e os educadores sempre serão referencial para os alunos, pois se os educadores são os primeiros a descumprir o regimento da escola, que referencial as crianças terão? É então que encontramos o papel crucial do educador que assim como a família deve servir de exemplo a ser seguido pelas crianças.

A família

A família é a primeira escola das crianças, pois como nos diz Poli (2006, p. 11) ”O processo de criar um filho, em muitos aspectos, é bastante semelhante ao de educar um aluno”. Como sabemos os educadores em sua maioria também são pais e sabem as dificuldades que as famílias hoje sentem em educar os seus filhos, pois estes não conseguem estabelecer regras e nem limites aos seus filhos, em sua maioria as crianças ficam o dia inteiro com babás e só vêem os pais a noite como estes se sentem ausentes, fazem tudo que as crianças desejam. Como nos diz Poli (2006, p. 29) “ A medida que a criança cresce, a dificuldade de impor as regras aumenta”. As regras devem ser estabelecidas desde cedo pelos pais, a criança deve ser ensinada, quantas vezes for necessário, pois só irá compreender através da repetição destas.
Outro fator que reflete na escola é as crianças que vem de famílias desestruturadas, onde estas não participam da vida escolar das crianças, sabemos que a escola necessita da família, pois ambas devem dá as mãos, ou seja, devem ser parceiras a fim do mesmo objetivo. A disciplina deve ser também papel da família, como diz Tiba (2006, p. 117)

Para atingirmos o objetivo maior da felicidade, precisamos da disciplina. É ela que nos ajuda a não sofrer quando algumas pequenas vontades, menos essenciais ao ser humano, não podem ser satisfeitas. A disciplina é um dos pilares do crescimento civilizado do homem e, consequentemente, um valor social importante.

Os pais e educadores são responsáveis pela formação social das crianças, para que estas tenham sucesso em sua vida é necessário que os pais e a escola, mostre a criança que nem tudo que queremos podemos ter na hora em que queremos, e que tudo é conquistado aos poucos, pois os pais hoje em sua maioria fazem todos os desejos dos filhos levando estes a não compreender que na vida às vezes necessitamos receber “não” até mesmo para o nosso crescimento. Para La Taille (1995, p.120) “ se desde cedo a criança aprende que há limites a serem respeitados, aos poucos ela própria vai compreendendo que as regras são como contratos estipulados para que todas as partes sejam beneficiadas”. O limite deve começar dentro da família, pois ao estabelecermos limites estamos contribuindo de forma significativa para que as crianças em sua maioria sejam disciplinadas.
A relação da criança com a escola é de alguma forma afetada pela significação que a família dar a ela e aos estudos e suas relações com as demais crianças.
Como afirma Outeiral (1994):

“saber e obter prazer pelo saber certamente está mediatizado em primeiro lugar pelos pais e, depois, mais tarde, pelos professores e pela escola. O desejo de um pode compensar o outro, ou até anular seus efeitos.”(p. 39)”.

A família também é um fator que ajuda as crianças, na questão da indisciplina, pois a família é a primeira escola das crianças. Cris Poli (2006) comenta em seu livro que “ouvi comentários e presencia cenas que chegam à beira da insanidade: famílias xingam-se constantemente, não há respeito, filhos gritam com a mãe e desmandam o pai”. Isso reflete na escola, pois as crianças estão acostumadas a não terem limites e não respeitar as pessoas, quando chegam à escola suas ações estão apenas refletindo a vivência em casa. Posso aqui relatar que na E.T.I. “Paulo Freire” já ouvimos relato de mãe que não sabe o que fazer com seu próprio filho, como o professor em um certo intervalo de tempo, irá resolver todo o problema da indisciplina. Como diz Abgail online (2010) “A família precisa ser parceira da escola na educação das crianças e a escola parceira da família”. Só então iremos construir junto uma educação de qualidade onde ambos cumpram seu papel na educação das crianças.

Para Concluir

A indisciplina está ligada diretamente ao espaço escolar, mas esta também reflete os problemas familiares, pois tudo isso interfere no comportamento das crianças. Compreendo todas as causas da indisciplina escolar, os problemas podem ser solucionados com apoio e intervenções onde cuidem do aluno no seu individual.
Aos educadores, precisa cada vez mais apoio, e de atenção para que suas dificuldades sejam orientadas para que este possa compreender ,conhecer e saber agir diante dos problemas da indisciplina.
A família deve sempre buscar estabelecer desde cedo limites e regras as crianças para estas compreendam o valor da disciplina na vida. A escola e o professor devem buscar compreender e exercer seu papel que é formar cidadãos autônomos críticos e capaz de exercer sua cidadania.
Portanto, é necessário que escola e família andem de mãos dadas rumo ao mesmo objetivo que é propiciar ao aluno uma aprendizagem significativa onde todos possam exercer o seu papel com amor e responsabilidade.

Referências Bibliográficas

De La Taille, Yves J.J. M. R. (1995) Prefácio à educação brasileira. In Jean Piaget. O Juizo Moral na Criança. São Paulo: Sum mus.

Tiba, Icami. Disciplina: Limite na medida certa. Novos Paradigmas/ Içami Tiba, – Ed. Ver. Atual. E ampl. – São Paulo: Integrare Editora 2006.

Poli, Cris. Filhos autônomos, filhos felizes. / Cris Poli – São Paulo: Editora gente, 2006.

MIELNIK, Isaac. O Comportamento Infantil: Técnicas e Métodos para entender Crianças. 2.ª edição, editora: Ibrasa, São Paulo – SP, 1982.

OUTEIRAL, José Ottoni. Adolescer: Estudos sobre Adolescência. Editora: Artes Médicas, Porto Alegre – RS, 1994

Antunes, Celso, 1937 – Professor bonzinho = aluno difícil: a questão da indisciplina em sala de aula/ Celso Antunes. Petrópolis, RJ: Vozes 2002.

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