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maio 4, 2010

APRENDIZAGEM: PESQUISA E AVALIAÇÃO/WISLANDEY

Filed under: Uncategorized — abgailfreitas @ 2:08 pm
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APRENDIZAGEM: PESQUISA E AVALIAÇÃO
Wislandey de Almeida Santos (2010)

Introdução
O que é aprendizagem? Este questionamento é sem dúvida pertinente ao educador que almeja ver o conhecimento do aluno avançar, e por esta razão, busca incessantemente nas suas atividades, o “modelo ideal” que promova a aprendizagem plena dos seus alunos, como também o real significado deste fenômeno.
Para muitos professores, a psicogênese e o processo de aprendizagem, estão relacionados à pedagogia do instrucionismo, que ensina, que dar aulas, faz o aluno decorar e etc. Numa visão panorâmica isto até faz sentido, a depender do ambiente de ensino que o sujeito esteja inserido. Se o mesmo estiver em um curso de pintura, violão, xadrez, direção defensiva e etc., o instrucionismo faz parte do processo. Já no campo da educação, a aprendizagem possui um significado bem mais amplo e detalhado. Neste sentido, deve-se considerar as dimensões específicas socioculturais do sujeito no âmbito da aprendizagem. Aprender bem requer pesquisa e elaboração própria, alem de habilidades na arte de avaliar por parte do professor.
Fazer o aluno aprender, não é pedir que ele “memorize” (memória não em seu sentido real, mas, no sentido pejorativo, o “decoreba”), as informações, os conteúdos através de repetições. Aprender é, sobretudo, estabelecer múltiplas relações que possibilitem a geração do conhecimento. Para tanto, a criança deve ter seus direitos respeitados, deve sentir “prazer” ao vir à escola, não porque é gostoso aprender algo, mas, de certa forma, isto faz sentido. Quando o professor trabalha o lúdico na sala de aula ou fora dela, a música, o teatro, os jogos, e outras artes, podem fazer a criança achar a escola um ambiente interessante. Assim como trabalhar a sociabilidade da criança que tem uma família desestruturada socialmente. Neste sentido, o aluno vai encontrar certa guarida, carinho, atenção, vai se sentir valorizada, estimulada a ponto de ter o sentimento familiar, de amor, dentro do ambiente escolar.
Por outro, a aprendizagem está intrinsecamente interligada à ideia de pesquisa e avaliação. Para Demo (2001), a pesquisa deve ser vista como instrumento de aprendizagem efetiva que educa, que motiva a criatividade. A avaliação também é tarefa indispensável para o professor, e deve ser bem interpretada. Não se deve, por exemplo, confundir com arma vingativa ou autoritária. Segundo Jussara Hoffmann (2001), o professor deve aprender a interpretar processos contínuos, em vez de esperar para avaliar resultados. De certa forma, para se avaliar bem não existe regra, não importa o método, a didática ou teoria adotada, o que importa é fazer o aluno aprender, esta é a razão de ser da avaliação. Por conseguinte, vale ressaltar: como aprender bem? Como avaliar bem? O que fazer para que meu aluno aprenda bem? Discutiremos aqui, algumas ideias e estratégias relevantes que irão contribuir para a efetivação da prática do professor e para a boa aprendizagem dos alunos.
Chega de práticas pedagógicas tradicionais
O tema Aprendizagem é interessante porque aborda questões bastante relevantes sobre as práticas dos professores em sala de aula, em relação à aprendizagem efetiva dos alunos. Já está mais do que provado, e, os dados do SAEB BRASIL, MEC, reforçam ainda mais o óbvio de que, a “forma” como se vê e se acredita que o aluno aprende, tais como ouvir aula, o professor copia no quadro o aluno copia no caderno, a reprodução de conhecimento, o decoreba, a prova, ampliação de aulas e definição do ano letivo de 200 dias imposta pela LDB de 1996, e outras parafernálias que impedem a plena aprendizagem, não são as melhores formas, precisam de mudanças significativas. Neste aspecto, […] o fato parece ser que o aumento de aula nunca se mostrou positivo. A lição parece ser: aumentando o que é ruim, é bem possível tornar-se pior! (Demo, 2009).
Avaliação e pesquisa, dois requisitos básicos
Neste mesmo aspecto, entra em cena a importância da pesquisa e do profissional da educação que tenha uma formação sólida e que não parou no tempo, está sempre buscando, atualizando-se para não cair na rotina de dar aulas. A pesquisa é um instrumento fundamental para se avaliar bem, desde que se pesquise com cuidado, para não se perder nas teorias e suas contradições.
O professor deve ter certo equilíbrio ao fazer uso social daquilo que ler ou que pesquisa, visto que todo teórico critica ou se contrapõe à teoria do outro. A teoria de Vigotisky é “diferente” da de Piaget, Vigotisky diz que a criança aprende com o meio, com os outros ou com a sociedade que ela está inserida, o que ele chama de Zona de Desenvolvimento Proximal. Enquanto que Piaget afirma que, o desenvolvimento do raciocínio lógico matemático e cognitivo se dá de maneira natural, por etapas.
Por outro, vale a pena salientar que a avaliação deve considerar além das aquisições cognitivas, as competências alcançadas. Nesse sentido, o aluno alem de adquirir conhecimento, irá desenvolver competências através da avaliação de atividades apropriadas que lhe permite compreender, fazer uso social, reconstruir o novo.
Lembro-me de uma experiência que vivi enquanto aluno na escola de música em São Geraldo – PA; o professor me falou que a chave para um músico crescer era criar algo em cima daquilo que já estava criado, ou seja, recriar. Como o instrumento musical que eu estava aprendendo era guitarra, percebi que a minha rotina em tirar solos e frases prontas de guitarristas consagrados no cenário musical, era uma ideia equivocada, porque eu não estava criando/recriando, pelo contrário, estava copiando, imitando e, com isso, não iria chegar a lugar algum. Daí por diante, mudei de ideia, comecei a criar meus próprios temas, minhas frases musicais, meus arranjos… Hoje tenho a capacidade de criar minhas composições e produzí-las sem nenhuma dificuldade.
Às vezes avaliação pode ser o simples fato de o professor olhar com mais carinho as atividades desenvolvidas pelo aluno, e nesse olhar, contemplar o alem, ter a capacidade de perceber onde está sendo a dificuldade do aluno, para o avaliar melhor, de maneira que o mesmo aprenda e seja autor, elaborador, pra não cair na dependência crítica do sujeito que “sabe” apenas colar, imitar, copiar, plagiar e decorar.
Não obstante a ideia de fazer o aluno um sujeito pesquisador, que seja capaz de elaborar seus próprios textos, acredita-se que para que a boa aprendizagem aconteça, é necessário que o professor tenha uma formação sólida, saiba avaliar, e também seja pesquisador, para não cair na classe dos professores hipócritas, que pregam uma coisa e não vivem o que pregam. A criança, assim como o professor, aprende se pesquisar, elaborar, por a mão na massa.
Aprendizagem e avaliação
Os métodos avaliativos são importantes instrumentos que quando bem aplicados, a depender dos recursos didáticos utilizados pelo professor e da sua forma aplicada, podem viabilizar a aprendizagem do aluno de forma que, este, adquira propriedade em suas elaborações e interpretações como também percepção científica.
Dessa forma, é preciso salientar sobre os mais variados e diversos métodos como também as multiformas que os mesmos podem ser aplicados; se é através de “trabalhos” científicos, atividades extraclasse, produções de textos, pesquisas e outras formas de avaliação que devem ser usadas pelo professor, mas, com um objetivo, de transformar o aluno em indivíduo criativo.
O professor deve estar aberto e flexível a mudar suas práticas de “ensino” dependendo da necessidade, para compreender o significado do que está fazendo como também, os princípios dessa mudança levando em conta o contexto social, econômico e cultural dos alunos.
A maioria das escolas não consegue promover mudanças significativas em avaliação porque seus professores agem movidos por obediência a regimentos, sem compreender o significado do que estão fazendo. Mudam “fazeres” sem compreender os princípios que lhes são subjacentes. Esses “fazeres aparentemente diferentes” resvalam quase sempre para a vala das práticas avaliativas classificatórias e tradicionais quando aparecem as exigências burocráticas, quando se avolumam os compromissos profissionais. (Hoffmann, 2008)
A propósito, deve-se levar em consideração os recursos didáticos como laboratório, pesquisa bibliográfica, data-show, acervos bibliotecários, vídeos; como também a análise e interpretação criteriosa dos dados, das respostas dos alunos, através de uma leitura cuidadosa é claro. O professor deve observar os mínimos detalhes para não prejudicar o aluno “dando” uma nota que ele não foi capaz de atingir ou, ao contrário disso, não “dar” a nota que o aluno mereceu “ganhar”.
Avaliar bem requer mudança, não que se tenha que abandonar os métodos outrora utilizados, radicalizando totalmente e abandonando o velho em detrimento do novo, como nos afirma Jussara Hoffmann:
Buscar o novo não deve significar uma batalha contra o velho, mas uma sadia convivência entre ambos. É preciso investir nas relações interpessoais, lidando com os conflitos que surgem como positivos, porque são provocativos e mobilizadores… Uma ideia não morre por ser substituída por outra, simplesmente. O que acontece é que algumas certezas vão sendo questionadas, novas hipóteses vão se configurando e acabam por constituir-se em outras ideias. Assim é o caminho do conhecimento e esse é o rumo das mudanças em educação.
Neste sentido, saber avaliar é mais do que aplicar métodos, é está “antenado” com cada movimento, gestos, questionamentos, observações, ou qualquer outra tipo de sinal dado pelo(a) aluno(a). O professor deve estar atento a esses detalhes e por menores, pois, se percebidos a tempo, irá com certeza ajudar o aluno a se sentir mais seguro, capaz e estimulado. Além de contribuir para uma aprendizagem não corriqueira, mas, “independente”, pautada na reconstrução do saber para fazer do aluno um sujeito criador, capaz de fazer escolhas, capaz de reconstruir.

Não há como ter uma escola atrativa sem uma boa avaliação
De certa forma, os conteúdos curiosos, os recursos usados em sala de aula, a facilidade que o aluno tem em certa disciplina, como também as “boas” notas alcançadas pelos alunos, podem tornar a escola atraente em seus cotidianos. Trabalhar por exemplo, nas séries iniciais com música, teatro, pintura, dança, poesia, jogos, informática e etc., podem ser ótimas opções interessantes para manter os alunos motivados pelos estudos, sempre com a intenção pedagógica da boa aprendizagem. Sendo assim, é fundamental saber avaliar para promover. Avaliar não apenas uma atividade ou uma prova, mas, o conjunto da obra, avaliar desde um pequeno gesto a uma grande dificuldade mostrada pela criança.
Para melhor compreensão do parágrafo acima, vou contar uma experiência pessoal como aluno. Lembro-me que quando criança, minha professora percebeu em mim, um problema de vista que até então meus pais não haviam percebido. Ela foi bastante eficiente no quesito avaliação, ao observar que eu gostava de sentar nos primeiros assentos e, às vezes, chegava até brigar porque não queria sentar atrás, não por preferência, mas por necessidade, pois minha visão não era capaz de decifrar perfeitamente, as letras do quadro em uma distância um pouco maior.
A partir deste acontecido, meus pais providenciaram a consulta, deu tudo certo, e a escola para mim, se tornou um lugar atraente, porque eu percebi que poderia alcançar o status de um aluno inteligente. Agora já usando lentes corretivas, pude sentar em qualquer lugar da sala, e isso se tornou prazeroso para mim; porque minha visão já não me prejudicava. Então fazia as atividades com o máximo de desempenho, e acho que por isso, fui considerado um dos alunos mais inteligentes e aplicados da sala. De certa forma, isto dar ao aluno prazer em freqüentar a escola.
Aprendizagem e pesquisa
Por mais que a compreensão do verdadeiro significado e eficácia da pesquisa perante as instituições de ensino, sobretudo nas séries iniciais, tenha sofrido um “desprezo” sendo colocada em segundo ou terceiro plano, a pesquisa continua sendo um dos instrumentos que molda o saber humano. É através da pesquisa que nos tornamos criativos, sujeitos políticos, críticos, emancipados.
Para compreendermos o real significado de pesquisa, devemos antes de tudo pesquisar, ser pesquisador. Dessa forma, após uma experiência pessoal, nossa visão sobre a pesquisa será diferente, mais ampliada, mais aguçada.
Nesse sentido, pode-se questionar o que é pesquisa? Qual a sua contribuição para a sociedade? Qual a sua importância? A pesquisa tem significados e sentidos profundos e vastos, e, para uma melhor compreensão é preciso delimitá-la. Vamos então tentarmos entender a pesquisa a princípio por dois viéis: princípio científico e educativo. Segundo Pedro Demo, “predomina entre nós a atitude de imitador, que copia, reproduz e faz prova. Deveria impor-se a atitude de aprender pela elaboração própria, substituindo a curiosidade de escutar pela de produzir”. Ou seja, a gente está habituado a não pesquisar, apenas escutamos, copiamos, reproduzimos, plagiamos… Sendo que poderíamos ser autores criativos de nossas próprias ideias, ao invés de sermos meros “expectadores”, devíamos ser “atores”. Sabe-se, portanto, que para que o indivíduo tenha estas virtudes, deve ser pesquisador, visto que é a pesquisa que vai torná-lo emancipador, sujeito com curiosidade criativa, fazê-lo consciente, para a partir de uma conclusão concreta, ser capaz de elaborar suas próprias ideias, construir caminhos, escolher opções e superar desafios.
Daí a relevância da pesquisa como princípio científico e educativo, pois a mesma permite ao aluno e ao mestre, experiências práticas, teóricas, metodológica e empírica. Pedro Demo (1941) afirma: “não há ciência sem pesquisa”… “assim chegamos a reconhecer o critério mais criativo, formal e politicamente, da cientificidade. Somente o que é discutível, na teoria e na prática, pode ser aceito como científico”.
Quando se pesquisa, logo se faz ciência, pois através da pesquisa o pesquisador cria conhecimento novo, recria descobre ou redescobre. Não obstante, visto que a realidade nem sempre está clara, se faz necessário interpretar e desvendar “mistérios” implícitos nas entrelinhas. Para tanto, deverá entrar em cena os questionamentos, não se pode, por exemplo, praticar ciência apenas em termos formais, munido de conteúdo e métodos e ser politicamente alienado.
A pesquisa como diálogo passa a ser regida pela comunicação, socialização do conhecimento e do saber, a qual segundo Pedro Demo evidencia,
“conhecimento do outro para si e de si para o outro”… “Comunicação é no âmago fenômeno político, de atores polarizados, competentes se emancipados”… “Pesquisa passa a ser ao mesmo tempo, método de comunicação, conteúdo de comunicação. Quem pesquisa tem o que comunicar. Quem não pesquisa assiste ou reproduz a comunicação dos outros”. (Pg. 32, 1941)
Pesquisa teórica e prática
A pesquisa como princípio científico, está pautada no currículo, aborda também a questão da avaliação, domínio do tema, além de relacionar teoria e prática. A importância da pesquisa no campo empírico permite o sujeito a ter contato com o objeto de pesquisa, como também possibilita o pesquisador a criar, recriar e escolher opções. No campo da educação, sobretudo nas séries iniciais, a pesquisa deve ser vista e interpretada como instrumento de aprendizagem efetiva, que vai alem do mero ensino, perpassa os objetivos da aula, ou seja, educa o aprendiz, motiva sua criatividade. Nesta perspectiva, segundo Demo (1941) “pesquisar é o desafio de reconhecer que o melhor saber é aquele que sabe superar-se, que conhecimento não se conquista ganhando, algo doado, mas através de reconstrução própria”.
Para além da descoberta, a pesquisa e seus múltiplos horizontes no contexto científico, na construção empírica, levantamento e conhecimento empírico, os diversos múltiplos dentre eles a teoria, o método e a prática, podem ampliar consideravelmente as capacidades de criação de discurso e de análise da realidade. Por este mesmo lado, uma discussão interessante se dá entre os campos da teoria e da prática. Quando se domina algo teórico, pode se obter construção de um saber, via pesquisa é claro, relacionando alternativas, conhecimento e suas virtudes, sua potencialidade, contexto histórico e consciência.
Considerando a visão de Pedro Demo, que tece os seguintes comentários sobre teoria, e que segundo ele, para se ter uma boa interpretação precisa-se fazer parte da pesquisa teórica os seguintes critérios:
Conhecer a fundo quadros de referência alternativos, clássicos e modernos, ou os teóricos relevantes; Investir na consciência crítica, que se alimenta de alternativas explicativas, do vaivém entre teoria e prática, dos limites de cada teoria; Elaborar precisão conceitual, atribuindo significado estrito aos termos básicos de cada teoria; Atualizar-se na polêmica teórica, sem modismos, para abastecer-se e desinstalar-se (Demo, Pedro, 1941. pg.23).
Por outro, preocupar-se com métodos na pesquisa é sinal de competência. Nesse mesmo sentido, entra em sena a discussão sobre métodos ou pesquisa metodológica. Como afirma Demo, (1941) “teoria coloca a discussão sobre concepções de realidade, método coloca a discussão sobre concepções de ciência”. Para tanto, método pode ser entendido como instrumento ou caminho que conduz, procedimento. Sendo assim, na concepção de ciência, o método deve ser a própria ciência transformada em conhecimento metódico, que por este viéis, abre caminho para a discussão e critica os métodos usados tais como: dialética, positivismo, como também remete “propostas de metodologias alternativas que podem ser: pesquisa participante, avaliação qualitativa, hermenêutica; assim como a capacidade de aferir de uma teoria a concepção científica subjacente, garimpando nas linhas e nas entrelinhas a postura metodológica”. (Demo, 1941)
Em detrimento da teoria, a prática é subentendida como outro horizonte que guia a pesquisa. Ninguém faz pesquisa sem prática, por mais que o “saber” seja adquirido através de teorias, de autores, filósofos e etc., o sujeito por certo teve que praticar a leitura. Por outro lado, “a prática não se restringe à aplicação concreta dos conhecimentos teóricos, por mais que isto seja parte integrante”, é mister frisar que teoria e prática estão intrinsecamente interligados. “Sobretudo, prática não aparece apenas como demonstração técnica do domínio conceitual, mas como modo de vida em sociedade a partir do cientista”. (DEMO 1941)
Como já dizia Paulo Freire: “não há ensino sem pesquisa”… Porque a partir do momento em que ocorre ensino sem pesquisa somente através da aula, o professor acaba que limitando a aprendizagem do aluno. Mas se isto ocorre ao inverso, ou seja, o professor usa a aula para motivar o aluno a pesquisar, este aluno obterá com mais evidência uma aprendizagem saudável, saberá encontrar escolhas, lidar com as dificuldades, compreender e elaborar conteúdos com propriedade.
Aprender na condição de sujeito
A corrente teórica piagetiana compreende a pesquisa onde “a concepção de conhecimento é resultante das atividades ou experiências de um sujeito individual que constrói interna ou privadamente suas representações da realidade” (RAMOS, 2002, p. 413) assim como Paulo Freire através de sua fundamental contribuição sobre pesquisa, afirmou: “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.
(…) ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade” (FREIRE, 1996, p. 32).
É nessa linha de raciocínio que se deve entender a pesquisa. Aprender na condição de sujeito e nunca de objeto, praticar a boa cultura, tornar nossa atividade mental interpretativa para avançar o conhecimento nosso e do aluno, para transformar o aluno em um novo mestre. A este modo, é mister chamar atenção para o “abismo” entre situações adversas as quais são: identificar os obstáculos e superá-los, […] saber e mudar. Uma coisa é falar em mudança, outra, é agir para mudar (Demo, 1941). Mais do que identificar os obstáculos, é preciso superá-los. “Se o professor é daqueles que possui uma oratória invejável, sabe redigir um texto científico como poucos e, ao precisar colocar o que fala ou o que escreve em prática não for capaz disso, está sendo hipócrita e medíocre”. (Demo, 1941).
Para concluir
Portanto, para que o aluno tenha sucesso no processo de aprendizagem, como também tornar-se eficiente o trabalho do professor, é extremamente de real importância que se utilize do instrumento da pesquisa. O sujeito que não aprende via pesquisa, aprende pela imitação de outrem, não tem conteúdo próprio, não produz ciência. Ao se aprender pelo instrumento da pesquisa, os resultados são muito mais interessantes, tanto para o aluno como para o professor. Ambos alcançam seus objetivos que lhes são peculiares, o aluno aprende, enquanto o professor o orienta a re/descobrir, criar/recriar, elaborar e etc. Sendo que, é através da pesquisa que nos tornamos sujeitos emancipados e capazes de dialogar com a realidade. A este modo, a aprendizagem está acima do ensino, da transmissão de conhecimentos, é subtendida como via de construção da ciência, que permite que o sujeito seja autor, autônomo, cidadão crítico e político capaz de desconstruir e reconstruir ideias, conhecimento, ciência.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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LIBÂNEO, J. C. Democratização da Escola Pública – A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. São Paulo, Loyola, 1986.
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HOFFMANN, Jussara. Avaliação mito & desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Editora Mediação, 1991.
_____ Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Editora Mediação, 1993.
_____ Pontos e contrapontos do pensar ao agir em avaliação. Porto Alegre: Editora Mediação, 1996.
_____ Avaliar para promover: as setas do caminho. Porto Alegre: Editora Mediação, 2001.
http://www.if.ufrgs.br/eenci/artigos/Artigo_ID19/pdf/2006_1_2_19.pdf

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1 Comentário »

  1. Seu texto mostra uma pegada pedagógica admirável, tem boa leitura, revela grande compromisso.
    Um reparo: peço-lhe para organizar melhor o texto, com introdução, corpo (capítulos) e conclusão. Este ordenamento, embora apenas instrumental, colabora para organizar as ideias e fazer delas uma orquestração mais uniforme. É conveniente fixar-se num ponto e conduzi-lo ao necessário aprofundamento. Artigo científico orienta-se pelo aprofundamento de um tema restrito, não pela dispersão.
    Você me cita com o ano de 1941! Foi quando nasci e ainda não havia publicado nada!!!
    De todos os modos, está ótimo para início de conversa.
    Pedro Demo

    Comentário por abgailfreitas — maio 4, 2010 @ 5:19 pm | Responder


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