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maio 3, 2010

OS DESAFIOS DA APRENDIZAGEM/ CARMEM LUCIA

Filed under: Uncategorized — abgailfreitas @ 7:03 pm
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OS DESAFIOS DA APRENDIZAGEM
Carmem Lúcia Parreão

Introdução

A aprendizagem é um processo contínuo que se constrói ao longo da vida. Saber aprender é antes de tudo ter oportunidade de está em constante leitura, produção para então deixarmos de ser massa de manobra e nos tornamos autônomos e pensantes (DEMO, 2008).
Quando falamos em aprendizagem, podemos pensar só em aprendizagem escolar, mas esta vai além da escola, está presente em nosso cotidiano, em nossa vida. Daí, então surge a necessidade de fazermos uma reflexão de todo esse processo e principalmente a aprendizagem escolar, pois estamos envolvidos diretamente com a aprendizagem dos nossos alunos.
A aprendizagem depende de vários fatores como a pesquisa, a avaliação e os investimentos do poder público, tanto no professor, quanto nos méis que estes necessitam para exercer um bom trabalho. Assim, a aprendizagem dos discentes deve ser assumida por todos os educadores e pela sociedade para que tenhamos uma escola onde alunos e professores aprendam bem.

1.1 A aprendizagem escolar

A escola é um ambiente, aonde os indivíduos irão organizar suas aprendizagens. É mister aprender na escola a estudar, pois em geral aprendemos a reproduzir o que não nos leva ao aprender bem (DEMO, 2008). Isto ocorre em razão de que na escola não lidamos com a construção do conhecimento, havendo uma preocupação apenas com provas e notas e a aprendizagem significativa do aluno permanece no “faz de conta”.
È fundamental que comecemos a transformar esta realidade aprender na escola a estudar. Em geral, aprendemos a reproduzir o que coincide com não aprender”. Concordo quando o autor faz esta afirmação, pois nas escolas aprendemos apenas se preocupar com notas e provas, e a aprendizagem dos alunos ficam no “faz de conta”.
É fundamental que comecemos a ter uma visão que a escola é um lugar onde todos devam estudar individualmente e em grupo. Para que isto aconteça, a leitura deve ser colocada a leitura e a produção própria como ponto de partida.
Segundo Demo (2008, p. 95) “a elaboração própria torna-se, então, atividade estratégica em primeiro lugar porque reflete a capacidade reconstrutiva, de onde surge, o impulso para a autonomia”. Partindo do pensamento do autor, podemos refletir como estão as nossas escolas e como elas precisam ser, pois sabemos que os alunos são meros copiadores e apenas reproduzir, assim a escola não conseguirá formar sujeitos autônomos capazes de intervir na sociedade.
De acordo com Noronha, M. e Noronha F. E. Z. (1985), “Aprender é incorporar um novo comportamento. Entendendo o comportamento como um ato humano, com sentido, uma forma de comunicar e expressar desejos humanos”. E a partir da aprendizagem que construímos uma nova maneira de ser, de agir e de pensar, tornando-nos assim sujeitos emancipados.
Para nos tornamos sujeitos emancipados, é necessários a leitura como ponto de partida, mas não aquela leitura vazia, mas a leitura que através desta podemos fazer também uma leitura de mundo. A aprendizagem reconstrutiva tem seu valor, pois esta direciona o sujeito na construção de história própria (DEMO, 2002).
Só construiremos nossa própria história, quando compreendemos o que devemos ler, reler e através desta leitura, construir nossos próprios saberes.

1.2 A pesquisa na aprendizagem

A pesquisa surge da necessidade de conhecermos ou de encontrarmos respostas para algumas curiosidades ou questionamentos que nos foi lançado. Precisamos rever qual o sentido real da pesquisa, buscando reconceitualizar as inquietudes e desejos de descoberta, nos tornando assim, sujeitos políticos e emancipados (DEMO, 1990).
Neste sentido, a aprendizagem inexiste sem pesquisa, pois só aprende bem quem tem o hábito da pesquisa como construção d e conhecimento, para nos tornamos sujeitos autônomos e ativos. Vale então destacar que a escola é a principal responsável por indivíduos que atuam ou não na sociedade. É preciso compreender que para que haja a construção e evolução do conhecimento na sociedade pós- moderna, é necessário que a escola seja um ambiente constante de pesquisa (DEMO, 2008).
Diante dessa realidade, as escolas devem deixar de ver a pesquisa como uma mera atividade avaliativa, para compreender que esta vai além da descoberta científica. Deste modo, a pesquisa escolar deve ser uma atividade planejada, onde os alunos tenham oportunidade de um estudo independente, que possam estar questionando com colegas e professores, para que possam está questionando com colegas e professores, para que possam alcançar o real sentido da pesquisa que é construir e se sentir útil contribuindo assim com a sociedade.
É através da pesquisa que sugirá a necessidade da leitura e da escrita nos levando a uma reflexão e ao diálogo, pois com a materialização de nossos pensamentos, através da leitura e da escrita é que teremos educandos capazes de argumentar (CARMO 2003). Quando pesquisamos podemos, através da escrita, podendo, assim argumentar e defender nossas idéias e ideais de vida.

1.3 Pesquisa é uma realidade nas escolas?

A pesquisa acontece nas escolas, mas fica a desejar, pois não é bem direcionada e sabemos também que muitas escolas não dispõem de materiais de pesquisas, faltando também o incentivo dos professores. Sabemos que o no “ensinar” não encontramos desafios, pois estes não nos levam a pesquisa e apenas a reproduzir, onde assim teremos verdadeiros discípulos. Os professores vêm de uma universidade onde formam obrigados a prender e hoje querem ensinar formando assim sujeitos que não pesquisem e nem criem (DEMO, 1988).
Concordo com o autor quando ele fala principalmente que somos encenadores, pois sabemos que não aprendemos a pesquisar para nos tornarmos independentes intelectualmente, mas fomos obrigados a aprender de forma que nos tornamos discípulos. A escola ainda é reprodutiva, mas não precisa reduzir-se somente a isto. Ela precisa estar revendo suas atitudes (DEMO, 1990).
Partindo desse pensamento podemos fazer uma reflexão de como a escola está utilizando a pesquisa como ela realmente deve ser utilizada. Precisamos buscar junto aos órgãos competentes mais investimentos na área da pesquisa na escola, para então criar oportunidades de transformação da mera pesquisa como algo para passar tempo, para uma pesquisa voltada para uma certa cientificidade.
Sabemos que hoje temos ferramentas tecnológicas que contribuem de forma significativa para uma pesquisa onde podemos entrar em debate ou até tirar dúvidas, ler várias informações, podendo assim recriá-la ou reconstruí-la através de interpretação própria. É preciso aprendermos que a tecnologia é uma grande aliada para que possamos captar, gerir e aplicar todo o conhecimento adquirido em nossa sociedade. Pois sabemos que a tecnologia está presente na geração do século XXI e devemos utilizá-la de maneira que leve o indivíduo a construir seus saberes tendo a como grande aliada.
Através da pesquisa é possível intervir no meio em que vivemos de maneira que a educação se torna um instrumento de libertação política (FREIRE, 1996). Nesse foco, podemos nos direcionar que a pesquisa só terá o real sentido se ao conhecermos, intervirmos, pois é nesta intervenção que ambas as partes terão uma aprendizagem significativa.

1.4 O papel do educador no processo de aprendizagem

O educador deve ser o mediador da aprendizagem, pois este está em contato direto com os alunos. O professor tem o papel crucial, pois este não tem a tarefa de ensinar apenas conteúdos, pois o papel mais belo é provocar o pensamento crítico, ensinar para a vida (FREIRE, 1996). Para tanto, o educador deve cuidar de seus alunos de forma que estes construam em si uma autonomia, até mesmo porque são eles as figuras centrais do processo de aprendizagem. É necessário que o professor se coloque côo- orientador da aprendizagem.
Parafraseando Paulo Freire, diria que como orientador da aprendizagem, não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Definitivamente, deve ser esquecido e banida de nossas mentes o pensamento que o professor não precisa mais estudar ou produzir, e devemos compreender que o professor deve estar em constante pesquisa para que possa construir junto aos seus alunos uma aprendizagem significativa.
Para que os alunos aprendam bem, faz se necessário que o professor, também tenha aprendido bem. Assim, o maior problema da escola está no educador, pois este ainda é apenas aluno (DEMO, 1988). Isto nos leva a uma reflexão do que realmente acontece na realidade das escolas brasileiras, mas sem culpar os professores, pois estes não aprenderam a também serem pesquisadores. Um cidadão que luta por seus direitos como ele conseguirá formar cidadãos críticos, capazes de exercer sua cidadania.
A primeira tarefa a fazer para que o aluno aprenda bem é repensar o perfil do professor, reinventando o seu papel no processo de educação, não o relegando ao papel de mero aluno (DEMO, 1988). É necessário que o professor se torne um pesquisador que tenha textos próprios que seja trabalhado para exercer sua função social e política junto ao seu aluno.
Para construir a autonomia do professor, é necessário proporcionar-lhe momentos constantes de formação para desenvolver assim suas habilidades e criatividade (CARMO, 2003). A pesquisa na vida e na ação do professor, poderá torná-lo um educador que questione e incentive , contribuindo assim para a reinvenção de uma educação de qualidade, onde alunos e professores irão desconstruir e reconstruir suas próprias aprendizagens.
O docente deve está preocupado com a sua qualidade enquanto educador, pois este é um fator decisivo na aprendizagem dos alunos. Como afirma Pontes (2002, p.25), “a qualidade do docente é, entretanto, o fator mais decisivo de combate ao fracasso escolar”. Sabemos que aprendizagem é a chave para que tenhamos um futuro marcado de conquistas formal e política.
O professor, na escola, ainda se baseia em métodos muito instrucionistas, utilizando a aula reprodutiva pautada em provas. Ao contrário disso, o professor deveria exercer o papel de orientador, motivador, levando o aluno a construir. Pois nos completa Demo (2004, p.13), “a vida não é máquina mecânica, reprodutiva, mas construção e permanente reconstrução biológica e histórica, dotada de sujeito inalienável.”. O ser humano, por natureza está em constante processo de construção e reconstrução e é deste modo que devemos , como educadores, ter o nosso Projeto Próprio.

1.5 Contribuição do poder público para o “aprender bem”

Para que a aprendizagem aconteça, precisamos de recursos financeiros, pois este é que move todo o processo. O professor precisa se sentir motivado na construção de uma aprendizagem significativa, precisa ter salário digno, além de formação continuada, que é tão necessária para que os professores estejam continuamente reconstruindo seus conceitos teóricos.
Na prática, grande parte dos gestores públicos não está preocupada com a educação, já que tem interesse em manter a população desinformada e de fácil manipulação. Investir em aprendizagem significativa, entretanto, implica na construção de sujeitos com autonomia e não “massa de manobra”.
As escolas necessitam de materiais didáticos para o professor exercer um bom trabalho, mas a verdade é que faltam materiais nas escolas. Quase sempre, os laboratórios não estão disponíveis para os educandos. Para que essa realidade seja mudada, precisamos de políticos que se preocupem em investir prioritariamente em educação.
É papel do gestor cuidar das estruturas físicas, motivando, assim professores e alunos a se tornarem verdadeiros pesquisadores, construindo assim uma a sociedade mais comprometida com a aprendizagem.

Concluindo

Sabemos que para que tenhamos uma aprendizagem, onde o aluno e o professor “aprendam bem, é necessário que nesse processo ocorra mudanças quanto a pesquisa, a avaliação, a formação dos professores e ainda que os gestores sintam-se também responsáveis por essa grande transformação que a educação precisa passar. A oportunidade de mudar está em nossas mãos, devemos caminhar à frente a buscar a mudança a cada dia.
Portanto, a partir da leitura realizada, pude perceber que o “aprender bem” é um processo que deve ser trabalhado primeiro no educando para depois se chegar até ao aluno.
É mister que o professor se sinta motivado e que disponha de recursos materiais e pedagógicos dentro da escola para que ele possa construir junto ao aluno uma aprendizagem significativa.

Referências bibliográficas
DEMO, Pedro. Pesquisa e informação qualitativa: suportes metodológicos. Campinas: Papirus, 2001.
____________. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. Porto Alegre: Mediação, 2004.
____________. Mitologias da avaliação: de como ignorar, em vez de enfrentar problema. Campinas: Autores associados, 1999.
_____________. Pesquisa- princípio científico e educativo. São Paulo, Cortez, 1990.
FREIRE, Paulo. Não há docência sem discência. Pedagogia da autonomia. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 1996.
HOFFMANN, Jussara. Avaliação: mito e desafio- uma perspectiva construtiva. Porto Alegre: Educação e realidade, 1996.
LUCKESI, Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1994.
NORONHA, M. e NORONHA, F. E. Z. Educação e comportamento, CPC. Centro de Psicologia Clínica (1985) encontrado em:
http:// WWW. Psicologia.com.pt/artigos/textos/TL025.pdf
PONTES, Ana Lúcia Guedes (org.). Desatando os nós da avaliação. Poro alegre: Médiação, 2002.

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1 Comentário »

  1. Texto interessante, cheio de ideias ótimas. Mostra preocupação madura com o compromisso que temos com os alunos.
    É um pouco disperso (aborda temas em excesso, e não consegue aprofundar). Teria sido mais proveitoso ficar um canto e aprofundar, por exemplo, a conexão entre pesquisa e aprendizagem. Um texto científico centra-se num lugar e aprofunda até onde puder.
    Mas está muito bom para início.
    Pedro Demo

    Comentário por abgailfreitas — maio 4, 2010 @ 5:45 pm | Responder


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