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maio 3, 2010

APRENDER BEM / SABINA

Filed under: Uncategorized — abgailfreitas @ 6:33 pm
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Aprender Bem

1 – Aprendizagem no Ambiente Escolar

Sabina Carneiro Fernandes (2010)

O presente texto tem como objetivo uma reflexão sobre questões relacionadas ao processo de aprendizagem, dentre os quais o fazer pedagógico, por ser o processo pelo qual os alunos chegam à compreensão do funcionamento do sistema de escrita.
Constatar a necessidade e a importância de uma ação pedagógica que possibilite a todas as crianças a participação no processo, bem como refletir sobre diferentes possibilidades de ação pedagógica como o sistema de leitura e escrita em que, mediados pelo professor, os alunos atuam como sujeitos que produzem significados e sentido.
A forma tradicional como vêm sido ministradas as disciplinas escolares, vem sofrendo severas críticas por serem consideradas um amontoado de informações fragmentadas, de dados e fatos inquestionáveis e de verdades imutáveis, onde os alunos somente acumulam informações, mas não operam cognitivamente com elas e a partir delas, comprometendo assim a aprendizagem, esse fator é observado num simples questionamento no qual detectamos que o educando não conhece se quer o lugar onde vive, não consegue articulá-lo com outros lugares e não são capazes de compreender as transformações do mundo à sua volta.
Pois a aprendizagem é um processo pelo qual os seres humanos adquirem informações, hábitos, atitudes, valores, etc. o que acontece a partir do seu contato com a realidade, com o meio ao qual está inserido e com outras pessoas.
O tema aprendizagem tem sido debatido por muitos autores, e conhece-los é algo imprescindível para que possa desempenhar bem a profissão de professor, uma vez que este tem papel fundamental na construção do conhecimento do educando, por ter ligação direta com o aluno, mediando e facilitando esse saber.
No entanto sabe-se que ser educador não é tarefa fácil nos dias de hoje, e que é necessário antes de qualquer coisa tornar-se capaz de promover nos educandos transformações dentro das possibilidades da escola, que é a construção do conhecimento como nos remete “Demo” quando diz que é dever do educador cuidar que o aluno aprenda e que o verdadeiro “milagre” do professor é conseguir que o seu aluno saiba pensar, torne-se cidadão autônomo, cresça em seu processo emancipatório, aprenda a confrontar-se com a realidade. (Turato, 2003)
De forma que os professores possam com isso garantir através de um trabalho pedagógico devidamente planejado atender as necessidades do aluno no processo de construção e reconstrução do conhecimento à maneira que promova seu desenvolvimento cultural e estético, sabendo que para educar uma criança é necessário respeitar sua individualidade e seus diferentes níveis de desenvolvimento, que de acordo com “Demo” o conhecimento não é feito para ser guardado, mas para ser dissipado, sempre refeito, desconstruído e reconstruído.

Dessa forma devem-se oferecer oportunidades reais de aprendizagem, mas que, para tanto é preciso que o educador integre-se a um novo modelo de educação onde o mesmo não se sujeite a regras que os obriguem a atuar sob comando, mas seguindo padrões flexíveis compatíveis com a criatividade que o processo da aprendizagem requer, oferecendo oportunidades reais onde os mesmos possam fazer com que os alunos aprendam com qualidade para que possam trilhar caminhos, alcançando objetivos, promovendo a formação para o desenvolvimento do ser como um todo.
Para que haja a aprendizagem significativa e não aquela onde o professor faz de conta que ensina e o aluno que aprende, acredita-se que deva partir de princípios voltados e fundamentados em pesquisa e elaboração própria voltada para o conhecimento onde seja orientada para a interpretação, produção comunicação e construção de conhecimento da aprendizagem estudantil.
Dessa forma para promover a aprendizagem é preciso demonstrar interesse pelo que se quer, uma vez que a força de vontade é que dita as regras de um bom aprendizado, haja vista que para estudar e aprender é preciso não faze-lo apenas por obrigação e sim por prazer. Como nos sugere Demo (pág.76, 4ª edição, 2005) “É sempre uma boa idéia começar o semestre ou o ano com uma semana de avaliação, para podermos ter clareza sobre a condição de cada aluno. Quem não faz isso, começa dando aula e assim segue sem se preocupar muito se os alunos estão acompanhando, até porque entendem como acompanhamento à prova, e que pode ser totalmente reprodutiva”.
Tendo assim mais um grande desafio para o educador de hoje, despertar nas crianças a vontade de quererem estudar, para que se tornem emancipadas, oferecendo a elas um ambiente onde haja acolhimento, segurança e confiança, desenvolvendo estratégias permanentemente planejadas em função dos objetivos que se desejam alcançar, voltada para a pesquisa.

1 .1 -A pesquisa como parceira do aprender bem

Pode-se dizer que ela é a responsável direta pela aprendizagem por representar um conjunto de atividades que devem ser orientadas em busca de um determinado conhecimento, por contar com procedimento racional, cuja intenção é de obter esclarecimentos e respostas sobre determinados assuntos ou problemas, representando assim o retrato social do conhecimento em prol do bem comum.
O que vem reforçar ISÉGUIAS (2003) quando diz que “é através da pesquisa que se pode avançar e dominar novos conhecimentos, uma vez que, com esse procedimento o homem descobre verdades que antes permaneciam às escuras”.
O que leva a perceber que essa é uma verdade, bastando observar quantas vezes no nosso dia-a-dia nos deparamos com situações que exigem um esclarecimento baseado em pesquisa e o quanto ela instrumenta a aprendizagem, por colocar o homem direto com o objeto a ser pesquisado garantindo assim a qualidade da aprendizagem.
De forma que desperte no aluno a necessidade e a vontade de estar sempre em busca de novas formas de aprender e não apenas se atrelando ao que já sabe, mas que tenha o desejo e o prazer de sair em busca de respostas para suas dúvidas, rompendo com o medo do novo, das incertezas, se permitindo ir ao instigante ato da procura, fazendo com que o ato de aprender se transforme em prazer.
Deixando perceber a importância da mesma e o quanto tem sido usada em todas as áreas do conhecimento humano, cada uma com sua visão, mas que todas contribuem de forma grandiosa na formação do indivíduo, permitindo assim errar, e rever para tentar acertar, pois segundo Demo” quem não erra, não duvida, não pode aprender”.
O que nos dá a certeza de que os erros, dúvidas e indagações e que nos impulsionam despertando a curiosidade que nos leva a uma busca incessante ao conhecimento, e é essa busca que faz com que descubra, construa e reconstrua seu aprendizado de forma que garanta assim melhor qualidade de vida.
De forma que possam compreender a realidade, e que o ato de pesquisar não seja limitado apenas no espaço escolar, mas extra-classe, por ser a rua espaço que pode e deve propiciar a aprendizagem de novos conhecimentos, construindo novos conceitos, adotando novos procedimentos e novas atitudes, tornando-os mais curiosos e questionadores, preparando-os para a vida.
O que vem reforçar Demo (1996a) quando diz que “O aluno não vem para a escola escutar aula. Vem para construir conhecimento e arquitetar sua cidadania integral (corporal, emocional e espiritual). Sala de aula é, antes de tudo, ambiente de estudo e pesquisa, pela razão simples de que pesquisa é o ambiente de aprendizagem. Pesquisa não é atividade esporádica, eventual, voluntária, intermitente, mas centro da dinâmica autopoiética da aprendizagem.

1.2 – Para aprender bem é preciso avaliar

Toda atividade humana passa pelo processo da avaliação, por ser ela parte integrante da aprendizagem por possibilitar ao educador verificar os eventuais problemas e a partir daí procurar soluções, embora seja muito abrangente a avaliação está presente no nosso dia-a-dia.
Na aprendizagem não é diferente, na verdade deve ser vista como ferramenta importante do processo pedagógico, desde que esteja embasada em informações confiáveis que possam nos dar uma visão do conhecimento do aluno, observando cuidadosamente e avaliando o ser como um todo e não como parte isolada, haja visto que existem muitas formas de fazer e que, o ato de avaliar apresenta toques pessoais de quem avalia.
O que vem de acordo com Demo quando nos remete que “quando queremos entender se o aluno está aprendendo, reduzimos esta dinâmica enormemente complexa e alguns indicadores, frequentemente muito tacanho, como é memorizar conteúdos”.
O que nos faz refletir que, para aprender bem é importante avaliarmos bem, e um dos fatores importantes é considerar a realidade dos alunos com toda sua heterogeneidade, nos atentando que todo processo avaliativo deve constituir para a tomada de decisão, e logo rever nossa ação, procurando melhorar em prol da qualidade da aprendizagem do aluno.
O que segundo Hoffmann “avaliar para promover significa compreender a finalidade dessa prática a serviço da aprendizagem, da melhoria da ação pedagógica visando à promoção moral e intelectual do aluno”.
Entende-se que se assim não for não faz sentido esse trabalho dentro do espaço educativo, cabendo aos educadores ajudar o processo de desenvolvimento permitindo que o educando perceba seus pontos fortes e suas facilidades tornando-se conscientes de sua aprendizagem.
No entanto, devemos saber que no processo não só é avaliado o educando, mas também o educador por colocar-se na condição de olhar criticamente não só o resultado de seu trabalho, mas permitindo que ambos percebam o que aconteceu no trajeto de seu caminho, oportunizando o repensar e o refazer, de forma que todos possam refletir sobre seus acertos e erros transformando-os em situações de aprendizagem onde possa concluir erros, acertos e com tudo assumir riscos rumo a alcançar objetivos.
O que para Ferreira (1997) “deve ser encarado como um meio de fornecer informações sobre o processo, tanto para que o professor conheça os resultados de sua ação pedagógica como para o aluno verificar o seu desempenho”. Nessa perspectiva faz-se necessário esclarecer que a avaliação acontece dentro do processo maior de aprendizagem, portanto ela se dá com conformidade ao processo de transmissão e de construção que abrange o nível de assimilação do conhecimento.
Em verdade avaliar requer uma reflexão para que não haja mecanismos relativos nem classificatórios, mas que possa dar oportunidade ao professor de auto-avaliar-se e fazer mudanças naquilo que não considerar satisfatório, com isso oferecer uma aprendizagem com significados, pois esse ato permite mudanças baseadas em novas idéias e metodologias traçando assim uma nova caminhada onde possa abandonar praticas ultrapassadas, permitindo inovações no fazer pedagógico.

1.3- Aprender bem é preciso mudanças na pratica do educador

Sabemos que não é fácil mudar, principalmente se estivermos acostumados às mesmices, no entanto, devemos estar abertos para que essas mudanças possam ocorrer, embora não aconteça na maioria das vezes, devido ao fato do educador não deixar métodos que acredita serem certos e com isso, impedindo-o de trilhar caminhos onde desenvolva metas que possa ajudar o educador e educando a aprenderem de forma significativa.
Nesse sentido podemos observar a dificuldade de mudança do educador pelo fato de que mudar em educação exige uma “troca de pele”, como nos remete JUSSARA HOFFMANN, pág. 11, no livro Grandes Pensadores, pois envolve concepções e postura de vida, e isso é penoso, porque ao invés do professor ver essa oportunidade como aliada, ele a tem como adversa, impossibilitando aprender novas experiências, novas historias, deixando com essa atitude, de crescer profissionalmente e como pessoa, estagnando também o aprendizado dos alunos.
No entanto, devemos observar que todo processo de mudança exige esforço e isso faz a diferença tanto na vida do professor como na do aluno, pois “educar é uma tarefa mágica, capaz de mudar a cabeça das pessoas, bem diferente de apenas dar aula” (RUBEM ALVES).
Bem verdade, mas só acontece se os educadores estiverem engajados, e engajados só não é o suficiente, é preciso que façam a diferença, aproveitando as oportunidades para montarem estudos com os alunos, partindo de suas próprias experiências de vida e em todas as situações onde elas possam ser reforçadas, não caindo no esquecimento.
Para que a educação complete sua missão faz-se necessário que professores e alunos despertem o prazer pela leitura, de forma que não seja algo aleatório ou com o intuito apenas de responder questionários, mas que possa desenvolver conhecimentos de forma que garanta uma aprendizagem com qualidade, garantindo assim o sucesso, o que é reforçado em artigos da revista Nova Escola 03/2006 – pág. 25 “O sucesso ocorre nas escolas em que a leitura e a escrita são tratados como conteúdo central e o meio de inserir o estudante na sociedade”.
Para tanto é importante levar o educando a observar, pesquisar em diversas fontes, questionar e registrar, fazendo com que o aluno passe a ser sujeito ativo na produção do conhecimento, uma vez que, com esse modelo de educação ele tem a oportunidade de pensar, coordenar, diferentemente das aulas que expõem conceitos, formulas e regras com a exigência da repetição da tarefa, abrindo assim um leque maior rumo à aprendizagem.
Nesse processo, precisa-se atentar para que se evite cometer erros como os de não informar, não corrigir, satisfazendo-se com o que o aluno faz por achar que ele constrói por si só o conhecimento, o que para Sandra Sawaia (1985) “implica em abandonar o aluno à sua própria sorte”. Nessa perspectiva, os dois tornam-se parceiros de uma proposta didática baseada na concepção da aprendizagem como construção, onde o conhecimento que se tem não significa simplesmente te-lo, mas arriscar-se, ou seja, o aluno precisa testar suas hipóteses e enfrentar contradições.
E que não se trata apenas de adotar propostas inovadoras, mas que é preciso entendê-las, perceber em que concepções se baseiam, quais são seus referenciais e suas implicações, se atentando para não só fugir do modismo, mas assumir uma postura pedagógica sabendo fazer escolhas, tomar decisões, propor inovações, para que possa desenvolver um trabalho, garantindo a aprendizagem do aluno, observando a importância de te-los como sujeitos ativos desse processo, que sua participação seja de forma intensa, acreditando na capacidade, ajudando-os a encontrar sentido no que fazem, para que encontrem sentido no trabalho que irão realizar.
A organização do trabalho pedagógico suscita variáveis didático-metodológicas e teorias para atender alguns aspectos que são gerais, mas, sobretudo, a algumas especificidades dentre várias possibilidades de realizar essa tarefa na escola. Vasconcelos (2002) sinaliza algumas formas simples que contemplam os seguintes aspectos: colocação do problema; exposição posicionada e estimulante do educador; reflexão de confronto e problematização por parte dos educandos reunidos em grupo e pela superação de posição de educador e de educando.
A ação pedagógica tem na relação professor-aluno uma mediação fundamental. Todavia, a questão da “indisciplina” e do baixo rendimento escolar tem causado preocupações e, até mesmo, alguns transtornos na ambiência escolar deixando com isso a aprendizagem comprometida.
Mas que se deve atentar para essa questão mesmo por ter a escola um papel muito importante que é o dever social, uma vez que não é de hoje que cabe a ela lidar com questões que dizem respeito a vida dos alunos e a sociedade em que estão inseridos, cumprindo assim com a função social esta torna-se cada vez mais necessária para que se possa obter aprendizagem que correspondem as atuais demandas da sociedade.
Nessa perspectiva, varias propostas educacionais tem abordado temáticas sociais, não como área específica concreta, mas na forma de temas que permeiam as diversas áreas do conhecimento. O que vem de acordo com a (Lei federal nº. 9394/96, art 27, inciso 1) “A difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática”, o que nos leva a lembrar que não existe idade ou etapa educativa específica em que devam ser tratados os temas transversais; pelo contrário, é essencial que sejam abordados ao longo de toda a escolaridade

1.4- A tecnologia com parceira da aprendizagem

É de conhecimento de todos que a tecnologia é sem dúvida é um dos maiores aliados na prática educativa e tem marcado sua presença cada vez mais, fazendo grande diferença na educação por dar novo impulso, e com tudo sendo considerada fator indispensável na transmissão de conhecimentos e informação, desde a televisão educativa e redes on-line.
Sabe-se que as tecnologias hoje apresentam uma modalidade de educação que possibilita a inovação dos procedimentos de ensino, o desenvolvimento de uma educação extra classe que se utiliza e que possibilita a interação com novos públicos em locais distantes geograficamente, tão bem descrita por Haeberte(1997).
“As primeiras transmissões de um sinal televisivo via satélite, capaz de chegar a qualquer lugar do planeta, fizeram florescer grandes ilusões nos educadores”. (p. 363).
Hoje a tecnologia permite que se tome contato com a realidade diretamente. A relação do educando com a realidade não se limita mais às experiências pessoais e ao que a escola e a família lhe proporcionam. As fontes de informações estão muito mais diversificadas e a escola tem o dever de estimular novas formas de experimentação e criação dos educandos, para que essa função seja cumprida, os professores precisam estar capacitados para tal.
Dentre as mudanças utilizadas pela informatização via rede, identifica-se a necessidade de manejo de múltiplas fontes de referencia, mediante intervenção ativa do usuário, que tenderá a aplicá-las de modo cada vez mais autônomo (Protzel, 1998). É certamente esse tipo de construção de conhecimento possibilitado pelos sistemas que requer dos atuais professores novas aprendizagens principalmente no que diz respeito ao planejamento e desenvolvimento via rede.
Haja vista que a rede de computadores hoje, apresenta-se como elemento que pode modificar significantemente a educação, por permitir que as paredes da sala se abram, modificando esses tradicionais locais de aprendizagem, permitindo aos educandos o diálogo, a troca de informações, dados, pesquisa a qualquer hora e sobre qualquer tema.

1.5 – A afetividade no contexto escolar

A afetividade sempre pareceu ligada à Educação, tanto que normalmente o papel do educador foi considerado pertinente à Mulher que, acreditava-se, era mais afeita às questões da afetividade. Intuitivamente, professores, pais e educadores percebem, no dia a dia, a importância dos laços afetivos no processo de educação.
O desenvolvimento afetivo desde o nascimento existe nele a capacidade para a experiência e o comportamento emocional. O bebê sente a necessidade de afeição e expressa o prazer e o desprazer vivenciado. Piletti (1997, p. 218) destaca que:
“Ao nascer, a criança não trás tendências inatas para amar, odiar, sentir raiva e medo, aproximar-se ou afastar-se das pessoas. São as experiências que a criança vai ter com os seres humanos adultos, durante os primeiros anos de vida, que vão determinar, em grande parte, o tipo de relacionamento que ela vai desenvolver em face das outras pessoas. O ponto de partida das atitudes positivas ou negativas, diante dos outros, é a interação que se estabelece entre a criança e a mãe, ou a pessoa adulta que toma conta dela durante o primeiro ano de vida.”
Segundo Libâneo, os aspectos sócio-emocionais cooperam para a relação professor-aluno. Esses, de acordo com o autor, referem-se aos vínculos afetivos entre professor e alunos, bem como às normas e exigências objetivas que regem o procedimento dos alunos.

Vale ressaltar que a afetividade a qual o autor se refere assinala, não se refere ao carinho do professor para com determinada criança, uma vez que este caracteriza preferência. Mas uma afetividade voltada para a relação do professor em relação ao contexto grupal, de forma que o professor adote uma postura afetiva e positiva com o mesmo, onde exerça sua autoridade (não autoritarismo).

De acordo com Gadotti, alguns valores que até então são interditados na escola devem ser resgatados, tais como: sentir a presença do outro, sentir-se bem, perceber o olhar, o abraço, compreender o olhar das crianças.

As boas inter-relações promovem um ambiente mais agradável e com isso possibilitam a oportunidade de um processo de aprendizagem mais eficaz. Boas relações se manifestam por meio de diálogo, troca, paciência e compreensão.

Contudo, a questão das regras em sala de aula também é importante para a organização, assim como em qualquer outro contexto de convivência, apartir dessas imposições feitas pelo professor a aprendizagem ganha maior ênfase haja vista que será mais fácil desenvolver o trabalho pedagógico.
Nestas relações é necessário que o professor tenha o reconhecimento e o respeito às diferenças individuais e culturais existentes, que busque conhecer seus alunos, suas necessidades, expectativas, experiências de vida para que possa organizar adequadamente a seleção, a metodologia que será seguida, bem como, a forma que será utilizada para realizar a troca de informação e de conhecimentos estabelecendo um diálogo permanente com seus alunos através de uma comunicação que possa abrir mão da postura tradicional e autoritária para que haja uma influencia mutua no processo dinâmico e participativo no qual o professor não ensina, mas aprende.
A ação pedagógica deve estar voltada para o conhecimento do aluno para que o professor possa ser capaz de mobiliza-lo, ativa-lo e para tanto é necessário que o educador esteja atento às crianças que passam por situações de problemas detectando assim as causas de repetência, evasão e fracasso escolar para que possa tomar medidas o quanto antes de forma a evitar que as mesmas sintam-se incapazes, frustradas e até mesmo abandonar a escola.
Sabemos que o fracasso escolar pode ocorrer devido a N fatores devido a condições externas ou internas ao qual são submetidos. Dentre eles devemos considerar:
• orgânicos
• cognitivos
• afetivos
• sociais
• culturais
• pedagógicos
Esses fatores podem ser identificados a partir das dificuldades e do ingresso da criança na escola, é possível para o professor perceber quando o aluno apresenta diferenças mais acentuadas em relação ao restante da turma desde que este esteja atento a certas manifestações consideradas anormais.
Por ser a escola um espaço fora da família, onde se aprende as regras da partilha, da cooperação, da solidariedade, da resolução de conflitos, por ser um local sério, mas divertido, exigente, mas flexível e, sobretudo, um local de convívio onde fosse agradável estar, onde ser pudesse aprender a escrever, pois é um espaço onde a maioria dos alunos passa grande parte do seu tempo considerada para muitos como sua segunda casa.
No entanto os alunos vêem a escola um local obrigatório desejando que se torne um espaço de descobertas e experiências por muitas vezes ser este espaço demasiadamente fechado no qual se ensina conhecimentos rígidos e sem margem para criatividade ou crítica o que leva então os alunos a irem para a escola por obrigação quando na verdade deveriam ir por motivações.
Na maioria das escolas de hoje, dominam uma rotina destruidora, dada a preocupação dos professores em “dar aula”, trabalhando de uma forma nem sempre compreendida por parte dos alunos e ambos (professores e alunos) vão para as aulas esperando que o dia passe passivamente e que o tempo de aula seja o mais breve possível, depositando seus interesses em atividades extra-curriculares, o que vem contradizer com Demo 1996a quando nos diz que “ o aluno não vem para a escola escutar aula. Vem para reconstruir conhecimento e arquitetar sua cidadania integral (corporal, emocional e espiritual). Sala de aula é, antes de tudo, ambiente de estudo e pesquisa, pela razão simples de que pesquisa é o ambiente de aprendizagem.

1.6 – Para concluir

A escola deverá ser mais aberta e polivalente, onde já se verifica medidas desse tipo, a exemplo podemos observar o fato das mesmas passarem a estar abertas no período das “férias grandes” para atividades desportivas e de lazer. A escola caminha para um maior contato com o mundo do trabalho, de forma a dar uma resposta mais adequada às necessidades da sociedade.
Pois o conhecimento não deverá ser encarado como clássico, nem uniforme, mas flexivo. Uma tendência do amanhã é também o fato de que, ao longo da sua vida o homem terá sempre a oportunidade de aprender, pois não haverá um estudo limitado para a obtenção de um diploma, mas uma formação continua e de renovação constante onde as novas tecnologias desempenharão um papel cada vez mais importante ao nível da educação.
A escola deve então começar por se reorganizar e por desenvolver o trabalho pedagógico de forma mais competente, para que o processo da aprendizagem passe a ser mais agradável e livre de muitos problemas.
Contudo observa-se que o professor deve oportunizar situações de aprendizagem e que a mesma leve os alunos a construírem seus próprios auto-conceitos e com isso gerarem sua motivação. Para tanto a situação didática precisa apresentar características estimulantes e desafiadoras.
Por ser este o principio fundamental numa tomada de decisão no processo de aprendizagem por não estar fundado apenas sob o aspecto psicopedagogico, mas, sobretudo pelo papel que se atribui a ela, seus propósitos, sua função social, as capacidades que são precisas desenvolver no educando durante todo o processo educacional.
Questões como “saber fazer”, “conhecer”, “ser”, elas têm sido remetidas a um ponto central que é “aprender a aprender”, nesse sentido as propostas globalizadas segundo Zabala (1988) apontam para um terreno fértil por ter o educador e o educando diferentes possibilidades para desenvolverem bem a aprendizagem.
Na realidade mesmo havendo uma grande perspectiva globalizadora como objeto de estudo, mesmo assim há a necessidade de se criar condições que permitam que o educando esteja motivado de forma que possa garantir a aprendizagem, onde os mesmos sejam capazes de compreender e aplicar os conhecimentos adquiridos.
O que vem reforçar (Zabala, 1988) quando nos remete que “no método globalizador, os alunos sempre conhecem o sentido da tarefa que realiza, o que se estima que aquilo que se aprende, parte de uma necessidade e não de conhecimentos impostos”.

1.6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Turato, 2003
• DEMO – Ser professor, 2005
• Demo(pág.76, 4ª edição, 2005)
• ISÉGUIAS (2003)
• Demo, 1996 a
• Ferreira (1997)
• JUSSARA HOFFMANN, pág. 11, Grandes Pensadores
• RUBEM ALVES revista Nova Escola 03/2006 – pág. 25
• Sandra Sawaia (1985)
• Vasconcelos (2002)
• Lei federal nº. 9394/96, art 27, inciso 1
• Haeberte (1997)
• Gadotti
• Protzel, 1998
• Piletti (1997, p. 218)
• Libâneo
• Zabala (1988)
http://www.google.com.br
• Fascículo de pedagogia da Universidade Estadual do Maranhão (2005)

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1 Comentário »

  1. Texto muito pertinente, bastando focado (sem muitas dispersões), voltando sempre ao “aprender” bem. Procura, a partir deste desafio, orquestrar argumentos e fundamentações, dando plausibilidade às ideias. Raciocina bem. Sugiro não insistir que o texto é uma “reflexão”, porque insinua algo disperso. O texto precisa ser “analítico” – ir ao ponto e resolver a questão.
    No todo, porém, é uma proposta muito boa.
    Pedro Demo

    Comentário por abgailfreitas — maio 4, 2010 @ 5:51 pm | Responder


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