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maio 3, 2010

APRENDER BEM É INDISPENSÁVEL/ MARIA

Filed under: Uncategorized — abgailfreitas @ 7:18 pm
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APRENDER BEM É INDISPENSÁVEL.

Maria Araujo Neta (2010)

IINTRODUÇÃO

Aprender bem é indispensável, pois se tivermos uma boa aprendizagem, teremos uma sociedade melhor, mais educada, instruída, independente, competente, eficiente, produtora e reconstrutora. Mas ao contrário tudo pode ser lastimável. Pedro Demo nos acresce algumas idéias para compreendermos o que é aprender bem utilizando uma resposta de Maturana, expondo que:

“É uma dinâmica reconstrutiva, interpretativa, autoreferente. Nós só aprendemos na condição de sujeito, nunca de objeto, aprendendo a escutar, quer dizer, o órgão principal da aprendizagem não é o ouvido, como o professor geralmente acha, o órgão principal da aprendizagem é o cérebro, que precisa do ouvido e de outros sentidos, mas ele reforma, refaz, reconstrói tudo”. (Demo, 2009, p. 14)

Sabemos que, todo ser humano já nasce impelido com o desejo de aprender, porém, percebemos que a aprendizagem dos estudantes, que frequentam as escolas brasileiras, não está sendo tão eficaz como deveria, porque se ensina muito e se pratica pouco, ou podemos dizer, ouve-se muito e aprende-se pouco. Sendo assim, o profissional da aprendizagem necessita de sabedoria para aprender, compreender o que implica neste processo, pesquisar, ter critérios para avaliar, diagnosticar quais são as dificuldades de aprendizagem dos aprendizes e as suas evoluções. Ademais, precisa se esforçar e se dedicar ao máximo para propiciar a cada estudante o desejo de aprender e de ter uma aprendizagem satisfatória. Lembrando constantemente das palavras de Demo (2009, p.7), quando afirma que: “Não se aprende de fora para dentro, se aprende é de dentro par fora”.

COMO A APRENDIZAGEM SE EFETUA.
Durante toda a vida encontramos a cada instante uma oportunidade de aprender, por esta razão poderíamos dizer que nascemos para viver num constante processo de aprendizagem e é através dela que tudo se desenvolve. Todos os ambientes sociais e as nossas experiências de vida nos oferecem a oportunidade de construir, reconstruir conhecimento uns com os outros e de descobrirmos, por nós mesmos, algo novo. Sendo que as escolas são as que mais contribuem nesse processo, pois elas oferecem momentos de interação e isto contribui com a aprendizagem. Pois, segundo Meirieu: “Pode-se dizer que a aprendizagem se efetua quando um indivíduo busca informações no meio em função de um projeto individual.” (MEIRIEU, 1996, P.55). Certamente, pois podemos analisar que nos interessados muito mais em aprender aquilo que faz sentido em nossas vidas.
Meirieu ainda nos acresce que no processo de aprendizagem, passamos por três fases:

“1ª fase: de identificação, na qual entram em jogo as funções de percepção: diante de um objeto;
2ª fase: que busca a significação do tema, segundo os interesses do aprendiz;
3ª fase: de aplicação, na qual o sujeito empregaria os conhecimentos para sua vida, ou investiria para suas necessidades e propósitos”. (MEIRIEU, 1996, p. 55)

Sendo assim, o ambiente escolar deve proporcionar aos educandos a oportunidade de passar por estas três fases. Sobretudo o professor, ele tem que se esforçar para oportunizar momentos de estudo em que os aprendizes sintam interesse em estudar, em aprender e encontrar sentido nisto para que ponham em prática tudo de bom que eles assimilarem. Desta forma vemos que é importante que haja na vida de um aprendiz muita motivação, para que ele se mobilize cada dia mais em busca de aprender bem, pois segundo Bock, percebemos que:

“A motivação é o processo que mobiliza o organismo para a ação, a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente e o objeto de satisfação. Isso significa que, na base da motivação está sempre um organismo que apresenta uma necessidade, um desejo, uma intenção, uma vontade ou uma predisposição para agir. ( Bock, 1999, p. 121).

Por isso o educador tem que encontrar estratégias, para motivar os educandos nos momentos de estudo, como por exemplo, utilizando as novas tecnologias (jogos eletrônicos, internet, data-show), e ademais, deve buscar formações para também despertar este interesse nos estudantes especiais, não esquecendo que nenhum ser humano é incapaz de aprender, independentemente de ter alguma deficiência, pois cada pessoa aprende algo novo de acordo com suas capacidades. Esta é a razão pela qual nunca podemos subestimar a capacidade que alguém tem de aprender e através disso transmitir o que já aprendeu ou descobriu por si mesmo.
Sabemos que existem alguns educadores, que discutem o baixo nível intelectual dos educandos, a falta de atenção dos mesmos e as dificuldades de aprendizagem. Mas muitas vezes não tomam providências, para tentar corrigir as distorções da aprendizagem. Então seria excelente que os professores procurassem conhecer algumas dificuldades de aprendizagem que eles podem estar encontrando nos aprendizes, como: alterações comportamentais, distúrbios emocionais, doenças orgânicas, transtornos, disortografia, dislexia, etc. e tentar estimular a aprendizagem dos mesmos, de acordo com a dificuldade de cada um.

ESCOLA FACILITADORA DA APRENDIZAGEM.

Algumas pessoas acreditam que a instituição escolar é o único lugar de aprendizagem, mas esse é um pensamento típico de quem ainda não percebeu o processo de obtenção de conhecimento presente desde o nascimento, em nossas ações instintivas de sobrevivência, como o ato de se alimentar sem necessariamente compreender a importância disso, até o início da concretização de vontades conscientes.
O ato de aprender é uma das maiores necessidades de nossas vidas, sem o qual não podemos sobreviver. Além de ser uma necessidade, ela vem como consequência do lugar onde vivemos com quem convivemos e vamos assim aprendendo mais com nossas experiências cotidianas do que com o que nos ensinam no colégio, pois sem darmos muita atenção acabamos adquirindo linguagem, hábitos e crenças, tudo como fruto do aprendizado que recebemos primeiramente da família e da sociedade. Por esta razão não podemos considerar a escola como o único lugar de aprendizagem, pois ela é apenas uma facilitadora da aprendizagem que constrói conhecimento formal, mas aquilo que vivenciamos é mais difícil de esquecer-se do que as teorias que nos são ensinadas. No entanto, infelizmente não adquirimos somente conhecimento de coisas corretas, pois, às vezes, aprendemos também coisas que poderão ser prejudiciais. Esse é o momento em que caberá a cada pessoa o discernimento que lhe dará poder para escolher entre o certo e o errado, haja vista que os ambientes têm influência sobre nós, mas somos os responsáveis por nós mesmos e temos que ter maturidade de saber que qualquer que seja a escolha feita, haverá uma conseqüência.
E de acordo com Demo, “o papel da escola é de procurar ter competência técnica satisfatória para fazer o aluno aprender, não se deve ficar empurrando o aluno para frente sem que ele tenha tido a devida aprendizagem, não se deve reprovar o aluno por qualquer coisa”.
Já Aristóteles salientava que “a pobreza é limitadora das potencialidades humanas”. Vemos que isso acontece, pois muitas pessoas são podadas de irem em frente por não terem condições de pagar uma faculdade. Então ficam para trás, sem poderem escolher a profissão que se identificam, deixam de se qualificar, camuflam seu potencial por falta de oportunidades e condições. Isso nos leva a certos questionamentos: Será por que a maioria dos estudantes das universidades públicas são os que estudaram em escolas particulares e tem condições de pagar uma faculdade particular? E por que será que a maioria dos alunos que sempre estudaram em escolas públicas deixa de cursar a graduação para trabalhar ou através do trabalho futuramente ter condições de pagar uma faculdade? Será que isso é justo? Onde está a falta? No governo? Nos processos seletivos? Nos professores? Nas escolas? Nos pais? Nos alunos? Ou em todos estes? Se formos pensar bem há uma injustiça e realmente o governo deixa muito a desejar, o número de faculdades públicas não condiz nem com a metade dos alunos que estão concluindo o ensino médio, tem alunos que se quiserem frequentar algumas das disponíveis tem que migrar, deixando assim sua cidade natal.
E pensando agora nos processos seletivos, podemos notar que é uma forma desumana de testar os alunos, porque uma prova nunca conseguirá medir o conhecimento e a capacidade de alguém. Se analisarmos os professores, veremos que são os responsáveis diretos da aprendizagem dos alunos, porém não podemos jogar a culpa somente neles, porque muitos procuram se qualificar, dando o melhor de si. Mas chegam as vezes em uma escola precária, que não tem competência técnica, não proporciona meios para desenvolver suas competências e criatividades, são mal remunerados, se deparam com estudantes desinteressados, sem disciplina, as vezes sofrem até agressões, o que torna difícil uma boa aprendizagem.Visto que, os pais devem participar, acompanhar o desenvolvimento dos filhos nos estudos e incentivá-los porque eles também exercem uma grande responsabilidade sobre os mesmos.
Com isso poderíamos dizer que a falta está em todos e principalmente em nós que ainda não tomamos atitudes para transformar essa triste realidade, por isso não devemos ficar colocando a culpa em ninguém, mas fazermos a nossa parte, para conseguirmos ter uma aprendizagem de qualidade que nos leve a ter atitudes que façam o mundo melhor. Porque não adianta termos diplomas, conhecermos muitas teorias e não colocá-las em prática, como por exemplo, não sendo corteses com o próximo, deixando de preservar o meio ambiente, não contribuindo para que a miséria do mundo diminua. Algumas pessoas usam o diploma para se sentir mais importante do que os outros, chegando ao ponto de humilhar quem ainda não atingiu o mesmo patamar.
Será que todas as teorias que aprendemos nas instituições escolares nos tornam mais inteligentes e menos sábios? Não generalizando, porque encontramos pessoas bem instruídas que são muito sábias e por outro lado encontramos outras não tão instruídas, que são sábias também, são bastante humanas, sensíveis, que amam a vida, sabem tratar bem quem se aproxima delas, que preservam o meio ambiente e conservam valores que os tornam mais felizes e isso é sabedoria. Apesar das instituições escolares, nos transmitirem conhecimentos sábios só trarão frutos para quem conseguir assimilá-los. Então uma das nossas tarefas é deixar certos conservadorismos, mas não podemos deixar de conservar os valores que inclui ética e moral, que é resultado de uma eficiente aprendizagem, que nos fornece sabedoria com atitudes que podem melhorar o mundo e tudo ao nosso redor.
Cabe ressaltar que a instituição escolar é muito importante nesse processo que não se resume apenas em ensinar os educandos, mas, sobretudo, a facilitar aprendizagem deles, a orientá-los, ajudá-los a desenvolver seu potencial de raciocínio, seus conhecimentos, bem como fazê-los relacionar isso à sua realidade, ou seja, acolher diferentes opiniões, considerando o que já sabem, valorizando as experiências de cada um, criando possibilidades para questionamentos e oferecendo atividades na prática. Porém devemos estar atentos às necessidades de modificação nos atuais processos de ensino/aprendizagem, afim de que os alunos consigam, da melhor forma, corresponder às expectativas da aprendizagem desejada, em parceria com a família nesse contexto. Sendo que quanto mais aprendemos maior se torna em nós a necessidade de ampliação de conhecimento para transmiti-lo àqueles que convivem conosco, lembrando que o êxito desse processo só se dará por meio de nossa dedicação e vontade de transformar a sociedade em que vivemos.

CRITÉRIOS PARA APRENDER BEM.

Alguns dos critérios para aprender bem são: estudar através da pesquisa e avaliar se está correndo avanços nesse processo de aprendizagem. A partir do momento em que a pessoa se sente motivada a estudar ela já começa a pesquisar coisas do seu interesse e sendo assim um bom profissional da aprendizagem deve pesquisar, pois a pesquisa é a base para desenvolver seus trabalhos e é de fundamental importância para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Porquanto é mister despertar o interesse no discente e docente de pesquisar, fazendo com que percebam as possibilidades de pesquisa e produção no contexto sócio-cultual-cotidiano, instigando a iniciativa de produção própria e trabalho em equipe, para aproveitar a potencialidade de cada um. A aprendizagem sempre terá êxito se educarmos através da pesquisa, porque será pesquisando que encontraremos respostas para nossas dúvidas, nos tornaremos mais sábios, seremos mais criativos e os educadores terão mais qualificação para manejar a aprendizagem dos educandos que com esse método se tornarão protagonistas da sua própria educação e construtores de novos saberes.
Visto que “Professor que apenas ensina jamais o foi. Pesquisador que só pesquisa é elitista explorador, privilegiado e acomodado” (Demo, 2003, p. 14). Deste modo, os momentos de estudo não podem ser momentos de apenas escutar alguém falar e tomar notas, mas lugar onde todos possam ser ativos e ter liberdade de expressão. É importante que nos preocupemos em nos aprimorar através dos estudos, para continuarmos contribuindo com uma aprendizagem de qualidade, sendo que é pesquisando que iremos conseguir nos aprimorar, porque a pesquisa pressupõe aprendizado, pois quanto mais aprendemos vamos vendo que temos muito que aprender. Logo os educadores e educandos devem encontrar tempo para ler, argumentar, conquistar autonomia permanente de inovação crítica, criativa, saber pensar, aprender e elaborar em virtude de um melhor aprendizado.
Demo e Castells nos chamam a atenção para alguns cuidados que devem ser tomados:

O intuito é cuidar que os docentes, quando se aventuram a pesquisar, o façam com cuidados metodológicos mínimos, evitando lançar pesquisa na vala comum de “qualquer coisa”. Leve-se em mente que pesquisa ainda mantém, sobretudo na academia mais sofisticada, a postura de atividade mais que especial, de gente especial, acima dos mortais. Por isso mesmo, a maioria dos docentes se espanta quando se lhes coloca este desafio, sobretudo se assombra quando se lhes diz que não se pode dar aula sem produção própria de conhecimento. (Castells, 1997. Demo, 1999; 2000a).

Desse modo, entendemos que o professor não pode cobrar produção, pesquisa, sendo que ele não o faz, ou seja, é importante que ele faça primeiro, para que os alunos se espelhem nele e também se sintam capazes de produzir. Ou seja, não deve haver distância entre o dizer e o fazer, pois será através de suas atitudes que induzirão os mesmos a constantes leituras e produções. O estudo através da pesquisa contribui para o crescimento individual, que posteriormente deverá ser compartilhado com a sociedade, devendo acontecer com a interação entre docentes e discentes.
Depois é necessário avaliar os avanços que estamos tendo em nossas aprendizagens, ou seja, se estamos ampliando nossos conhecimentos e o que podemos fazer para que nosso aprendizado seja mais satisfatório. Sendo que esta tem que ser uma tarefa do profissional da aprendizagem que tem que avaliar constantemente de forma objetiva, compreensiva, acompanhando os processos de aprendizagem que cada educando vai passando. Visto que a avaliação contribui no processo de aprendizagem dos educandos, ela deverá ser feita mesmo que provoque incômodos, mas o educador tem que ter cautela para não confundir avaliações com exames. Pois avaliar neste caso contribuirá para diagnosticar problemas, devendo-se então encontrar soluções que ajudem e orientem os educandos a aprenderem com mais eficiência.
De fato, este tipo de avaliação deve acontecer todos os dias nos momentos de estudo, os professores têm que ir fazendo uma observação geral nos seus alunos, identificando quais alunos que mais participam que mais se interessam pela aprendizagem. Acresce que cada professor tem uma opinião a respeito de como é melhor avaliar, tendo uma diversidade de alunos, irá discerni qual vai ser o melhor tipo de avaliação, para este ou aquele aluno. Porém percebemos que as escolas ainda continuam utilizando as provas como principal meio para avaliar o desempenho dos aprendizes nas disciplinas, mas felizmente já estão sendo utilizados outros processos, como: pesquisas, trabalhos (individuais e em grupos), participação, interesse, assiduidade, criações e invenções próprias a partir de pesquisas, entre outras.
Pedro Demo faz algumas críticas, relacionadas à utilização das provas, como meio para avaliar os alunos:

A prova pode sim ou mesmo deve ser abandonada, porque como regra, não passa de mistificação cômoda para ambos os lados (professores e alunos), mas não se pode abandonar a avaliação, porque estaríamos deixando o processo de aprendizagem correr solto, sob o risco constante de, não só não saber o que está ocorrendo com os alunos, mas principalmente de não cuidar da aprendizagem efetivamente. (Demo, 2005, p. 7)

Neste sentido dar para notarmos que as provas não auxiliam a aprendizagem dos alunos, porque elas levam os estudantes a simplesmente se preocuparam com a nota e aprovação, em vez de se preocuparem em aprender satisfatoriamente. “Se queremos apenas saber se o aluno copia e reproduz conhecimento basta prova. Se queremos que ele saiba pensar, argumentar, questionar, prova já não é procedimento adequado.” (Demo, 2005, p.9). Então o que devemos fazer é tentar acabar com a pedagogia do exame e nos centrarmos em uma pedagogia da aprendizagem.
Já Luckesi nos acrescenta que:

O ato de avaliar, por sua constituição mesma, não se destina a um julgamento “definitivo” sobre alguma coisa, pessoa ou situação, pois que não é um ato seletivo. A avaliação se destina ao diagnóstico e, por isso mesmo, à inclusão; destina-se ‘a melhoria do ciclo de vida. Deste modo, por si, é um ato amoroso. (Luckesi, 2006, p. 180)

Porquanto a avaliação tem que ser feita com amor e não simplesmente por obrigação ou para classificar. Pois, já não convém ficar taxando alguns alunos de bons outros de ruins, mas sim substituir esta atitude por compreensão e auxílio. O ideal seria que cada docente tivesse tempo e oportunidade de fazer um estudo completo de cada discente, com a parceria dos pais dos mesmos, porque isso facilitaria a compreensão de cada indivíduo em sua singularidade, para então facilitar sua inclusão e poder auxiliar cada indivíduo no seu desenvolvimento na aprendizagem. Em outras palavras poderíamos dizer que um programa deste tipo poderia facilitar o desempenho de todos, como também desenvolveria relações e aprendizado de qualidade.

A IMPORTÂNCIA DE O PROFESSOR APRENDER BEM.

O professor tem sido visto apenas como um transmissor de conteúdos, mas esta imagem vem sendo mudada e este profissional da aprendizagem estar passando a ser olhado como um orientador de momentos de estudos. Demo mesmo procura desconstruir a primeira imagem que a maioria das pessoas tem do professor como o profissional do ensino, para que todos os vejam como profissional da aprendizagem. E ele ainda nos acresce que:

Em vez de alguém treinado para ensinar, passa a considerar-se o eterno aprendiz, porquanto somente um professor que sabe aprender consegue fazer seu aluno aprender. Para que o aluno pesquise e elabore, torne-se autônomo e criativo, precisa de professor que tenha, de maneira eminente, tais qualidades. (Demo, 2005, p.24)

Por isso que, os professores devem sempre procurar fazer o melhor, sem cessar na busca de novos conhecimentos, porém não podemos sempre colocar a culpa da deficiência da aprendizagem apenas neles, porque se formos analisar a profissão deles, veremos o quanto eles sofrem para atingirem a tantas exigências, mas ainda são discriminados e desvalorizados. Encontramos muitas teorias dizendo como deve ser o professor, mas dificilmente eles encontram apoio no seu cotidiano para conseguirem por todas elas em prática. Porém, o maior apoio ou diríamos os principal meio que o educador tem para vivenciar a filosofia de que “o professor precisa aprender bem, para que seu aluno aprenda bem”, é estudando, ou seja, lendo livros, pesquisando na internet assuntos que ampliem seus conhecimentos pedagógicos e procurando sempre formações para se aprimorar, sobretudo as formações que algumas escolas oferecem.
Convém aqui concordar com Pedro Demo quando ele diz que:

“(…) o lugar do professor não é o centro do processo, mas na orientação dele. No centro está o aluno (…) a função principal do professor, não seria, jamais, de substituir, simplificar, facilitar, banalizar a aprendizagem do aluno, mas torná-la viável e tanto mais profunda e qualitativa. Instiga, motiva, desafia, inquieta, instabiliza… Não dá nada pronto. Ao contrário, após cada vitória, arma desafios ainda maiores e mais complexos”. (Demo, 2008, p. 14).

Sendo que é importante que o perfil do profissional da aprendizagem seja um leitor, pesquisador, reconstrutor, produtor de conhecimento, sempre em busca de aprender bem, para que os alunos também tenham êxito na aprendizagem. Porque um profissional assim proporciona momentos de estudos criativos, inovadores, onde em vez de instruir e reproduzir irá orientar para construção de conhecimentos, proporcionando espaços para argumentação e questionamentos. Logo este profissional estará sempre em busca de uma formação discente cada vez mais qualificada, se tornando autor para que os discentes sejam autores, sendo também bastante atencioso, avaliando sistematicamente se estão proporcionando uma aprendizagem de qualidade.

PARA APRENDER BEM TAMBÉM É PRECISO DESCONSTRUIR E RECONSTRUIR

Durante o processo de aprendizagem passamos sempre por desconstruções e reconstruções que serão constantes durante toda a nossa vida, por isso é necessário sermos flexíveis, argumentativos, críticos para podermos viver atualizados diante das reformas que ocorrem em todos os âmbitos. Depois devemos observar as exclusões que ocorrem nesse processo, tentando encontrar medidas para solucioná-las.
Hoffmann mostra que:

“A maioria dos órgãos oficiais de educação e das instituições escolares promovem mudanças diretivamente, de um momento para o outro, com os professores movidos pela obediência a regimentos, normas e determinações da administração, da supervisão, e não pelo espírito do engajamento. Não conseguem as mudanças desejadas, porque a aspiração e o entendimento de poucos não conseguem o receio, a resistência, o conformismo de muitos. Mudar em educação, mudar em avaliação, exige “trocas de pele”, pois envolve concepções e posturas de vida, e isso é penoso. Quando se coloca o educador diante de novas teorias, novas metodologias, ele é levado a responder: minha história, minha experiência, os conhecimentos que construí até hoje serão considerados tão valiosos quanto sempre o foram? O que mais me será pedido que desaprenda? Quanto tempo e esforço me custará a adaptação?” (Hoffmann, 2008, pág. 103)

Naturalmente é importante evitarmos ficar condicionados a aquilo que aprendemos antes e procurarmos vencer paradigmas ultrapassados e ficamos sempre abertos para aprendermos algo novo, mesmo que isto seja difícil. Pois, sabemos que para assimilarmos as mudanças sofremos um processo de desconstrução o que por muitas vezes nos gera sofrimento e será preciso: flexibilidade, aceitação, esforço, persistência, querer, para conseguirmos alcançar as assimilações necessárias durante as mudanças e as novas descobertas que vão sendo feitas. Isto sempre vai acontecer porque sempre estamos em metamorfose e como somos seres racionais, iremos assim transformando tudo ao nosso redor através de nossos pensamentos, idéias e descobertas. Temos um exemplo comum disso em nossa educação, “a velha história do decoreba”, antes os educadores tinham como certo ensinar os educandos a decorar tudo que eles passavam, copiavam no quadro e mandavam tomar nota, para através disso passar prova. Além disso, não davam chances para os alunos expressarem suas ideias e questionamentos. Com isso podavam a criatividade, porque quem segue apenas o que os outros mandam perde a capacidade de se expressar, construir e transformar. Hoje em dia quem foi educado desta maneira tem que passar pelo processo de desconstrução da aprendizagem para se manter atualizado. Quem resolve trilhar este caminho entende o quanto é sofrido, mas necessário, pois vale a pena.
O que contribuirá no aprendizado será a leitura, refiro-me não só a ler livros, mas principalmente a nossa realidade que nos trará muito mais lições de sabedoria, para termos flexibilidade diante das transformações. Agora se queremos ajudar alguém a desconstruir pensamentos já formados e ultrapassados devemos primeiramente respeitar e compreender a situação do outro, não impondo, mas sim contribuindo para que ele mesmo descubra o novo, ajudando-o a reconstruir, ou seja, não podemos deixar uma lacuna, somente tirando o que a pessoa tem, mas temos que preencher o vazio que fica com algo que dê sentido para ela.
Demo comenta que:

“(…) Aprender não é acabar com as dúvidas, mas conviver criativamente com elas. Por parte do professor, não se trata, de “tirar dúvidas”, mas de fazer outras tantas. Temos aí um sentido claro pós-moderno: conhecimento é processo dinâmico de questionamento permanente, não gerando respostas definitivas, mas perguntas inteligentes. O professor que tira dúvidas, coíbe o aluno de aprender, já que evita o saber pensar. E quem sabe pensar não encontra coisas definitivas, mas harmoniza-se com a imprecisão da realidade e a precariedade da ciência (…). A formação da consciência crítica e criativa faz parte do saber pensar. Neste sentido, não vale apenas destacar a importância do conhecimento, mais igualmente sua face dúbia. Porquanto, saber pensar é, antes de mais nada, saber desconfiar e desconstruir. (Demo, 2008, p.15, 16).

Assim sendo os professores terão sempre que reformular suas metodologias, procurando se qualificar cada dia mais, fazendo pesquisas, para se sentirem preparados para exercerem um bom trabalho, tendo que refazer seus métodos, para que as “aulas” sejam dinâmicas, questionadoras, procurando mexer com o emocional do aluno.
De acordo com o que já foi exposto, Jussara Hoffmann ainda diz que:

A coragem em deixar para trás uma parte de si, em trilhar caminhos desconhecidos, sem roteiros definidos, não depende do convencimento dos outros ou de promessas de que será melhor assim para os alunos, mas da profunda compreensão dos princípios que regem tais mudanças, da devoção a uma causa maior, que valha tanto esforço. (Hoffmann, 2008, p. 103)

Por isso não podemos fugir da realidade, das mudanças que estão sempre acontecendo, devemos acompanhar o tempo, aprendendo desconstruir aprendizagens ultrapassadas e reconstruir com as inovações nosso conhecimento, para contribuirmos com o desenvolvimento da sociedade.

CONCLUINDO

Em suma, podemos utilizar as palavras de Bossa para resumir como poderíamos definir o que é aprender bem, quando ele conceitua aprendizagem dizendo que:

“É a capacidade e a possibilidade que as pessoas têm para perceber, conhecer, compreender e reter na memória as informações obtidas. E este cortejo que leva à ampliação e ao enriquecimento das experiências anteriormente vividas: trata-se de um processo complexo que possibilita a criação e o desenvolvimento de novos conhecimentos. È por meio do aprendizado que se modifica o comportamento intelectual e social dos indivíduos. Portanto, o aprendizado é um processo fundamental na vida do ser humano.” (Bossa, 2000, p.15).

Partindo dessas definições vemos o quanto aprender bem é indispensável em nossas vidas, por isso, o corpo docente de nossas escolas brasileiras, devem encontrar apoio para conseguirem proporcionar aos aprendizes oportunidades de terem uma aprendizagem mais eficiente e contribuir para um mundo melhor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MEIRIEU, Philippe. Apprendre…oui, mais comment. 13ª ed. Paris: ESF, 1994. Disponível em: http://revistas.unipar.br/educere/article/view/838. Acesso em 25 abr.2010.
DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo, 10 ª ed. São Paulo: Cortez, 2003, 120p.
________. Ser Professor: é cuidar que o aluno aprenda, 4ª ed. Porto Alegre: Ed. Meditação, 2005.
________. Educação pela pesquisa. Belo Horizonte, 2009.

BOCK, Ana M. Bahia (org). Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. 13ª Ed. São Paulo: Saraiva, 1999.

LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar, 18ª Ed. São Paulo: Ed. Cortez, 2006.

DEMO, Pedro; HOFFMANN, Jussara. Grandes pensadores da aprendizagem: o desafio da formação moral e da avaliação. 4ª Edição. Porto Alegre: Ed. Meditação, 2008.

BOSSA, Nadia A. Dificuldades de aprendizagem: O que são? Como tratá-las? Porto Alegre: Artes Medicas Sul, 2000.

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1 Comentário »

  1. Lindo texto. Valeu. Ideais claras, bem ordenadas, com começo, meio e fim. Boa leitura e cabeça no lugar.
    Pedro Demo

    Comentário por abgailfreitas — maio 4, 2010 @ 5:38 pm | Responder


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